Uso da internet é preocupante
Quando o computador ocupa maior tempo entre os deveres e os estudos

Gabriela Borges Batista
3º Período de Jornalismo

A permanência de crianças e jovens diante do computador, mais do que uma atividade comum na era globalizada, também tornou-se uma preocupação. O uso sem orientação e o exagero podem empurrar o usuário para um vício difícil de ser controlado. Se por um lado os jovens tiveram mais acesso à informação, por outro eles também se tornaram mais relapsos com as obrigações diárias, principalmente no que se refere aos estudos.

A pedagoga e diretora geral da Escola Estadual Minas Gerais, Rosângela Maria Goulart, afirma ter notado um crescimento do interesse dos alunos, nos últimos dez anos em que se tornou diretora, pelo mundo tecnológico, em especial a internet. Tendo uma sala de informática na escola, com cinco computadores, ela explica que o conteúdo pode ser me-lhor aplicado com a ajuda deste recurso. Mas que deve existir responsabilidade. “Aqui nós bloqueamos sites de relacionamentos, jogos violentos e bate-papo. A internet é somente para pesquisa escolar e com orientação de um professor” diz Rosângela.

Em casa a história é diferente. Alunos do período matutino (manhã) afirmam com orgulho que podem passar mais de cinco horas seguidas em frente a computadores, e que quase nunca dedicam-se à pesquisas escolares. A maioria acessa sites de relacionamento, como o Orkut, bate-papos, jogos e até sites de conteúdo inapropriado à idade. O resultado disso é o baixo rendimento no dia seguinte e o não cumprimento das tarefas de casa. “Eles chegam cansados e passam a maior parte das aulas dormindo na carteira. Muitos são reprovados e nem se dão conta de que a internet é a principal vilã”, dizem os professores da E. E. Minas Gerais.

Isso acontece, segundo a pedagoga Rosângela, porque o horário preferido deles é a madrugada. Então, não descansam o tempo necessário e acabam descontando as horas não dormidas nas desconfortáveis carteiras de madeira. Outro grande problema ocasionado pelo excesso de tempo na internet é a escrita. Os professores de gramática reclamam das muitas abreviações e até mesmo de criações vindas da tela do computador para os cadernos e avaliações dos alunos. “É uma dificuldade fazer com que entendam as regras gramati-cais quando estão acostumados a abreviar tudo”, diz Gina Almeida, professora de gramática da escola.

Para ajudar a contornar essa realidade, a diretora Rosângela afirma que é preciso uma maior participação da família do aluno. Ela lamenta a falta de interesse de alguns pais, que muitas das vezes deixam toda a responsabilidade da formação deste aluno nas mãos da escola, pelo excesso de trabalho ou pela falta de estrutura familiar. “Os pais devem impor limites, saber dizer “não” sem medo de magoar o filho. É do futuro dele que estamos falando”, ressalta a pedagoga.

Já os alunos do período vespertino (tarde) apresentam menos problemas nesta área. Com exceção de alguns, a maioria têm limites em casa, passam poucas horas na internet e a usam mais para trabalhos e pesquisas da escola. “Pelo fato de serem mais novos, os pais conseguem ter mais controle do que com os adolescentes” diz a diretora. As notas em média são boas e eles rendem o esperado durante o ano todo. De 15 alunos do vespertino entrevistados, somente três admitiram ficar mais de três horas no computador. Mesmo assim, fazem as tarefas e estudam antes de sentar em frente à tela – em obediência aos acordos com os pais.

Amanda, com dez anos, diz que quando chega em casa, primeiro faz as tarefas e depois vai para o computador conversar com os colegas. Quando perguntado sobre as pesquisas que a escola pede, ela diz que, se tiver, a busca é primeiramente no livro e, em ultimo caso, na internet. “Na internet deve ter muita mentira”, desconfia a menina.

Mas Rosângela avisa: “não se deve deixar o jovem à vontade para fazer o que quer só porque tem boas notas. Esse aluno exemplar também precisa ter limites para saber o que é certo e o que é errado”. E os pais sabem disso – na teoria.

A mãe do jovem Mateus, de 13 anos, Claudia Soares Amâncio, secretária de escritório de advocacia, diz que seu filho é ótimo aluno. Está na sétima série, estuda de manhã e até hoje não traz no boletim uma nota abaixo da média desde que começou a estudar. Mas passa de três a quatro horas por dia em frente ao computador. Claudia reconhece que isso pode ser um problema, mas não reprime Mateus. “Ele tem boas notas, é elogiado pelos professores e nem mesmo sai muito de casa, então, não vejo motivos para reclamar. Mas acho muito o tempo em que fica jogando”, diz a mãe.

O pai, José Alberto Amâncio, auxiliar administrativo, é mais rígido. Reclama que Mateus passa muito tempo navegando e se esquece do convívio com a família. A saída, segundo o pai, é tirar o computador da tomada. “Não tem outro jeito”, lamenta. Mateus conhece muito bem essa regra, e quando o pai chega do trabalho já desliga o computador antes que tire da tomada. O auxiliar administrativo explica que toma essa atitude porque não sabe o que o fi-lho vê, quais sites acessa e com quem conversa, pois, não tem tempo para controlar o conteúdo acessado no computador.

A pedagoga Rosângela diz que essa pode não ser a melhor atitude, e que isso pode ajudar o jovem a se fechar cada vez mais e evitar a conversa com seus pais. Deve-se, sempre, manter o diálogo. “É me-lhor conversar com o filho e expor as razões da imposição de limites, de tanta preocupação. Fazer com que ele entenda surte mais efeito do que simplesmente reprimir sem expressar os motivos”, explica a pedagoga.

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2009