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As ameaças aos direitos da imprensa na Guatemala
O relato da jornalista guatemalteca Alejandra Gutiérres, ao Jornal Revelação, sobre um país latino, onde 80% da população é pobre e vive aterrorizada pelo narcotráfico
Roseli Lara
5º Período de Jornalismo
Roseli Lara |
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Memorial lembra assassinato do mártir Dom Juan Berbari, há 11 anos |
Ser jornalista na Guatemala é viver entre dois extremos - apontar as gritantes causas da pobreza e da violência no país e estar na mira dos narcotraficantes ou, amortecer a consciência. O país com 13 milhões de habitantes é de uma riqueza cultu-ral, geográfica e arquitetônica ímpar. Ameríndios, descendentes dos Maias e descendentes dos colonizadores espanhóis cons-tróem juntos um cenário exuberante de costumes e tradições, que nem mesmo a desigualdade social consegue sufocar.
A grande maioria da população do país é indígena. Os Maias representam 80% do contingente populacional, sendo que 95% deles são campo-neses.
A concentração de terra está no centro do furacão social, pois 2% dos grandes proprietários possuem 72% das terras cultiváveis, enquanto 80% da população vivem abaixo do nível de pobreza e 40% abaixo do nível de miséria.
Nas ruas da capital, a Cidade da Guatemala, dois mundos: as pujantes construções deixadas pelos espanhóis e a avenida do capitalismo (parte da cidade nova onde estão instalados os bancos norte-americanos, uma espécie de av. Paulista); ao redor, a imensa favelização da maioria do povo. As casas estão fincadas na montanhosa cidade, mal acabadas e amontoadas.
Logo cedo, a poluição vinda dos escapamentos de automóveis sucateados, grande parte “despejada” pelos Estados Unidos, toma conta do ar da capital, formando cortinas acinzentadas. O transporte coletivo é feito unicamente pelos tradicionais “ônibus canadenses”, cujo estado de conservação deixa muito a desejar.
Museus, prédios públicos e ruas centrais são guardados por uma polícia com metralhadoras em punho. Dentro do aeroporto internacional, mesmo nas áreas comuns, só entram passa-geiros, sob o argumento de segurança contra o narcotráfico. As Chicas (mulheres índias) muito afeiçoadas aos filhos, ficam do lado de fora com seus bebês grudados às costas, tentando ganhar algum Quetzal – moeda local – com a venda de artesanato.
Na Catedral de San Tiago, na praça central da capital, um retrato sangrento e chocante. Centenas de nomes estão inscritos nas colunas que cercam o pátio da principal igreja do país. Um abaixo do outro, parece nunca não acabar. A relação de nomes faz memória aos desaparecidos políticos e mártires assassinados, vítimas da exclusão social e da ditadura militar. Os massacres em massa, perpetrados contra os pobres por parte do Exército, foram sistemáticos e exterminadores. Os termos “esquadrão da morte” e “desaparecido” nasceram justamente na terra dos vulcões.
Mais adiante, no centro da capital, conhe-cemos a Igreja de “San Sebastian”, onde gritam as letras no memorial “Guatemala Nunca Mais”, uma referência ao relatório apresentado pelo mártir Dom Juan Gerardi, bispo assassinado em 1998, dois dias antes de lançar o relatório que trata aber-tamente sobre as atrocidades do exército, a corrupção e o narcotráfico.
Entrevista
Jornalismo: na Guatemala, profissão de risco 
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