Reflexão a conta-gotas
Leo Freitas

Não tem cor, não tem cheiro nem sabor. Um líquido fácil de encontrar que está ao alcance das mãos, pelo menos em nossa região. Estamos falando da água, um bem essencial para a sobrevivência do planeta e, que, por incrível que pareça, encontra-se ameaçada.

No dia 22 de março, data em que se comemora o Dia mundial da Água, encerrou-se em Istambul, o fórum mundial que debateu o problema do uso irracional dos recursos hídricos. O tema do fórum foi “Superando divisores de Água”.

Se a preocupação em torno da água reuniu líderes mundiais em Istambul, uma das maiores cidades da Turquia, aqui, em uma modesta cidade do Triângulo Mineiro, o assunto também deve ser refletido. Afinal, as contribuições para encontrar soluções viáveis para a ameaça de escassez de água no planeta pode e deve surgir da cabeça de estudantes que se dedicam à pesquisa.

Estima-se que Uberaba tenha uma população estudantil (universitária) de aproximadamente 30 mil alunos. A nossa reflexão pode começar com uma pergunta: Como o homem conseguiu colocar um bem inesgotável em risco?

É preciso entender que cada setor e cada pessoa tem a sua parcela de culpa. No campo, as nas-centes dos rios são ameaçadas pelo pisoteio do gado; o desmatamento desenfreado para abrir espaço para as lavouras contribuem para o assoreamento de pequenos rios; o represamento de mananciais em propriedades particulares interrompe o fluxo dos rios.

Na cidade, o crescimento populacional é mais acelerado do que a realização de obras de infra-estrutura. Os esgotos são atirados livremente nos rios. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a cada 19 segundos uma criança morre no planeta vítima da falta de saneamento.

Indústrias despejam suas descargas nos mananciais. Em casa, as torneiras pingam ininterruptamente, os canos vasam e a água escoa. No calor, as mangueiras refrescam as crianças num lazer sem compromisso, já que a taxa de água não é tão cara assim. Os hábitos do desperdício vão completando a lista dos malfeitores da água.

Enquanto isso, do outro lado, na região nordeste, o alívio vem a conta-gotas. A água potá-vel é disputada como riqueza absoluta. O Pnud (Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento) aponta que um bilhão de pessoas vivem sem abastecimento de água. A tendência é de que esse número duplique até o ano de 2025. Até lá o que você vai fazer?

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2009