Desperdício ameaça o abastecimento de água
Recursos hídricos da cidade são abundante, mas estão ameaçados pelo uso irracional de água pela poluição
Mônica Salmazo
Raphael Ilídio
5 º Período de Jornalismo
Arte: Leo Freitas |
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Já parou para pensar o quanto a água é importante em nossas vidas? Além de compor 70% do corpo humano, é essencial para nos nutrir e realizar nossas necessidades básicas de higiene. Algo de tanto valor não pode deixar de possuir um dia mundialmente conhecido como seu, 22 de março o Dia da Água.
A preocupação quanto a falta de água no futuro e no presente é unanime em todo o mundo. Por outro lado, a cidade de Uberaba esta em posição privilegiada do ponto de vista hidrográfico, como explica o Geógrafo Renato de Carvalho, que “apesar de ser rica em água, a cidade de Uberaba deve economizar água em períodos de escassez de chuva”, lembrando que a cidade sofre com a condições climáticas no período dos meses de Maio a Outubro com a falta de chuva. O Geógrafo não esquece de lembrar que o crescimento do consumo tem como vetor principal o crescimento da população, e falta de cuidados com o desmatamento e poluição, pode trazer problemas hídricos, como falta de água temporal, ou deixa-lá imprópria para o consumo.
O manancial principal de captação utilizado para o abastecimento público é o rio Uberaba, que possui um o rio com uma bacia hidrográfica de 2.346 km2, participante da bacia do Rio Grande, o rio abrange os municípios de Uberaba, Veríssimo, Conceição das Alagoas e Planura. O restante da demanda de abastecimento da cidade é preenchida com águas oriundas de lençóis freáticos, seja por poços de perfuração profunda, ou mesmo pequenos poços residenciais.
O município de Uberaba possui 26 minas d'água catalogadas, destas vinte e seis, cinco estão secas, por motivos climáticos ou mesmo entupimento de seus canais naturais. As minas são pontos de 'vazamento' hídrico de lençóis freáticos, a presença dessas fontes representam abundância hídrica e riqueza ambiental para os locais onde estão localizadas, porem aquela velha idéia de que toda água brotada do chão é limpa pode estar errada.
Analises realizadas pelo Núcleo de Vigilância Ambiental em Saúde, do Centro de Zoonoses, mostra que muitas minas d'água em Uberaba apresentam presença de coliformes gerais e até coliformes fecais também conhecidos como termotolerantes, provando que a água possui contaminação por grupo de microrganismos encontrados nas fezes de animais de sangue quente. A presença desses micro-corpos esta diretamente ligado a contaminação do solo por minerais pesados, oriundos de muitas vezes de defensivos agrícolas, como explica Afrânio Gomes responsável pelo departamento das análises do Núcleo, “os minerais encontrados nas composições de agro-defensivos servem de nutriente para esses microrganismos”. Gomes lembra ainda que “as minas sofrem análises semestrais, e nem sempre contam com a presença de impurezas”, mas recomenda que não seja feita o consumo de água sem tratamento.
A mina d'água encontrada na rotatória da Avenida Maranhão, no Bairro Universitário, famosa pelo fluxo constante de água sempre desperta a curiosidade do porque não canalizar toda essa água? Segundo Afrânio para isso, o custo financeiro seria inviável, pois teriam despesas na construção de uma central de tratamento no local ou para o envio da mesma ao centro mais próximo. As últimas análises feitas em novembro de 2008, mostram que não se deve consumir água sem tratamento. A mina chamada pelo Núcleo de Vigilância de Mina do Universitário, possui contaminação por coliformes totais, o que pode ser sinal de alerta para contaminação do lençol freático.
As análises feitas são regulamentadas por Lei Federal, imposta pelo Ministério da Saúde, em forma da Portaria 518, de 25 de março de 2004. Essa portaria diz que todos os municípios necessita de análises feitas sobre toda água posta a consumo, seja por concessionárias de fornecimento de água, ou por minas d'água.
Consumo e desperdício
O mundo mudou. Com o tempo novas pesquisas foram sendo realizadas e a qualidade de vida aumentou fazendo com que a população e o consumo aumentasse. As tecnologias desenvolvidas continuam precisando de recursos naturais e o mais importante deles é a água.
Na cidade de Uberaba 99% da população recebe água tratada, soma considerável uma vez que, o município abriga mais de 107 bairros, segundo dados do CODAU (Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba). São 118.111 o número de residências com ligação de água, 100.056 residências, 17.790 comércios e 265 indústrias (referente ao mês de Fevereiro de 2009).
Grande parte da população é responsável ambientalmente em relação ao desperdício de água, isso, devido a episódios anteriores onde a cidade ficou em estado de calamidade pública. Caminhões-pipa foram necessários para atender a falta de água e abastecer casas do município. “Como Uberaba já passou por duas situações de falta de água então as pessoas aprenderam a economizar. O próprio consumidor consegue economizar sem perder a qualidade de vida, mas isso não significa que não temos alguns habitantes que não desperdiçam”, conta Ivone Borges, assessora de Meio Ambiente.
A cidade conta com vantagens como ter um rio pertencente à ela, ter um parque industrial que é responsável pelos processos principais de saneamento e ter a oportunidade de tratar a água antes de devolvê-la ao rio. Em épocas de necessidade o CODAU transpõe o Rio Claro, que resolve os problemas do município.
“Os uberabenses aprenderam a evitar boa parte do desperdício mas, infelizmente, ainda tem hábitos interioranos, como jogar água na calçada para varrer ao invés de usar a vassoura, regar o jardim mesmo após chover e etc.”, diz Ivone quando questionada sobre os hábitos dos moradores.
O índices de consumo e desperdício na cidade não foram divulgados pelo Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba.
Artigo
A cidade que engoliu seus rios  |