Declaração dos direitos humanos completa 60 anos
Quase na terceira idade “ela” ainda é desconhecida e desrespeitada por muitos

Gullit Pacielle
Danilo Cruvinel
3º Período de Jornalismo

Arte: Leo Freitas

Criada em uma assembléia da ONU (Organização das Nações Unidas) logo após o término da segunda guerra mundial, no dia 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos contém trinta artigos que garantem uma maior igualdade e dignidade entre a raça humana. Assinada por vários líderes mundiais após um profundo estudo, hoje ela está presente em 58 países.

Artigos como igualdade perante a lei, liberdade de expressão, direito à segurança, moradia e à vida, parecem bastante óbvios. Mas será que eles são de conhe-cimento de toda a população?

“Se eles fossem tão óbvios, não precisaria da declaração. Ela foi criada, pois os seres humanos não a respeitavam. A intenção era dizer tudo o que deveria ser seguido.” A opinião é do professor, mestre em e-ducação, Décio Bragança Silva, que sempre se pautou pela defesa dos direitos humanos.

A importância da Declaração foi reafirmada pelo advogado, ex-presidente da OAB de Uberaba, e integrante da Comissão dos Direitos Humanos, Vicente de Paulo Cunha Braga, 66. Ele acredita que a população não tem noção de cidadania e, consequentemente, desconhece seus próprios direitos. Segundo Braga, a falta de escolaridade é o principal motivo desse desconhecimento. “Dessa forma, várias crianças e ado-lescentes procuram outros caminhos, ou seja, fazem a opção pelo crime”, salienta

Esta opção tem pintado um cenário triste de violência no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Saúde, a violência é a segunda principal causa de morte no país, ficando atrás somente das mortes por doenças do aparelho circulatório. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), crianças e adolescentes são os mais atingidos, e a escolaridade média é de 5,75 anos de estudo.

Vale lembrar que a Declaração dos Direitos Humanos é apenas uma orientação, pois a ONU, por ser uma organização não-governamental, não tem o poder de criar leis. Décio Bragança acredita que falta uma parceria entre os órgãos ligados à ONU e às prefeituras. “Para que os direitos humanos sejam cumpridos e conhecidos pela população, a parceria teria o papel de fazer com que a ONU estivesse mais próxima dos alunos, disseminando assim o conhecimento sobre a importância dos direitos humanos,” observa.

No dia 10 de dezembro de 2008, a Declaração Universal dos Direitos Humanos completou sessenta anos de existência. Para Décio, o cumprimento da declaração é como uma “luz no fim do túnel”, que sempre quando nos aproximamos, ela se afasta um pouco mais.

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2009