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Superação
sobre duas rodas
Moto
adaptada por homem, após doença, traz de volta sua
independência
Leslye de Paula |
Torneiro mecanico a 54 anos |
Leslye de Paula
4º Período de
Jornalismo
A persistência pode levar as
pessoas a superar os limites do próprio corpo. Esse é o
caso de Cildo Conceição de Melo, 73 anos, que logo após
sofrer um AVC (Acidente Vascular Cerebral), mesmo sem conseguir se
levantar da cama, sonhava com o momento em que voltaria
a andar de moto.
Cildo se especializou em torno
mecânico há 54 anos e há oito sofreu o AVC.
Passou cinco anos em uma cama. Mesmo assim, ele conta com entusiasmo
que nunca deixou de acreditar que andaria, e que até o médico
duvidava de sua determinação.
Logo que conseguiu se levantar, o
torneiro mecânico se fez fisioterapeuta e construiu uma peça
na qual, todo dia, treinava o movimento de aceleração
de moto. Sua irmã, Celi Melo, diz que ele mal conseguia ficar
em pé: “Às vezes, ele caía e eu tinha que
chamar os vizinhos pra levantá-lo. Por isso, eu achava um
absurdo essa história de moto, pensava que ele nunca ia
conseguir, tinha medo de ele se machucar”, afirma. Mas ele
conseguiu. A primeira façanha de Cildo foi feita em uma
bicicleta com rodinhas, que ele adaptou com seus dotes de torneiro.
“Pra andar a pé eu caía, mas da bicicleta não
caía não”, sorri Cildo.
Em
seguida, veio a tão sonhada moto, que levou quatro meses para
ficar pronta. Cildo relata que quando sofreu o derrame possuía
uma moto grande e, devido às seqüelas, já não
conseguia segurá-la mais. Então, comprou uma moto
pequena e deu vazão à sua criatividade, uma
verdadeira “loucura” para ele. A moto custou, em média,
dois mil reais com rodas, chapa e serviço de solda, tudo feito
por ele mesmo. “Antes da síncope, eu era um homem muito
agitado, trabalhava, passeava de carro, de bicicleta e de moto, eu
tinha uma chácara e criava todo tipo de animal. Ia lá
sempre cuidar deles e plantar. Depois do AVC, eu pensei: ‘Gente!
Vou ficar parado? Eu vou é arrumar um jeito de andar!’”
Essa afirmação de Cildo se realizou. Com isso, hoje,
ele é um homem muito conhecido pela vizinhança. Já
não tem mais sua chácara, mas faz questão de
dizer que planta em seu quintal, e que, com sua moto, vai ao mercado,
à padaria, à feira, sem depender de ninguém.
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