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A
fantástica fábrica de sinos
Todos
conhecem a existência dos sinos, difícil é
imaginar como eles são feitos.
Thiago Paião
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Fabricação artesanal de sinos aumenta a valorização do trabalho |
Belissa Nogueira
Thiago Paião
3° período de
Jornalismo
Arte, música, tradição
e esforço. A fabricação de sinos se tornou algo
singular, já que sua produção é reclusa a
alguns fabricantes no mundo todo. Em Uberaba, encontra-se uma das
únicas fábricas de sinos do Brasil, que faz seu
trabalho de maneira única e artesanal. Luiz Henrique,
“Pirituba”, sineiro da FASU – Fabricação
Artesanal de Sinos de Uberaba, diz que a maneira como a produção
é feita atualmente por eles é similar à
fabricação de armas dos guerreiros escandinavos Vikings
e, infelizmente, esta produção foi perdida também
pelos atuais sineiros, que usam hoje em dia novos recursos a fim de
facilitar a fabricação. “Eles fazem de modo diferente
os sinos, mas a qualidade alcançada não é a
mesma alcançada por nós. O som é diferente, não
sai como uma melodia, apenas como um barulho”, relata o sineiro.
Antigamente, na Europa, havia
oficinas onde os mestres sineiros repassavam as técnicas de
como se fazer sinos para uma ou duas pessoas. A criação
desse instrumento tão importante e raro é aparentemente
simples, tida quase como uma aritmética. No entanto, mesmo com
toda essa “simplicidade”, fabricar um sino não deixa de
ser um mistério e uma arte.
Cada sino produz um som diferente,
variando de acordo com cada nota musical. Existem sete acordes
musicais, sendo sete tons e cinco semitons. A linguagem musical e a
dos sinos caminham juntas nessa empreitada, cheias de acordes
completos, formando uma só harmonia. “Eu não entendo
muito de música. Mas, tenho uma noção para saber
que som o sino deverá fazer de acordo com o pedido recebido. É
preciso ter um bom ouvido pra entender”, explica Luiz Henrique.
Apesar de a produção
ser um segredo guardado a sete chaves desde os tempos antigos, o
senhor “Pirituba” nos revela o seu trabalho e explica como mantém
a tradição de produção até os dias
atuais. Ele lembra que cada sino possui uma fôrma e um
instrumento únicos para sua produção. “Nenhum
sino é igual a outro, e quem o produz sabe disso”, completa.
Quem é sineiro também
deve ser marceneiro, escultor, pedreiro e músico. A produção
se inicia com a construção de um pequeno forno chamado
de “macho”, que possui o mesmo formato, ainda que brusco, do
sino a ser fabricado. Em volta desse forno é colocada uma
massa feita de barro que deve ficar lisa sobre o macho, formando o
molde interno do sino. Esta etapa é feita manualmente pelo
sineiro. Uma peça de madeira especialmente construída
para o sino em fabricação também é
perdida, logo após o molde do sino ficar pronto.
Depois da massa seca, são
colocadas sobre ela camadas de sebo animal fazendo que a cerâmica
feita fique esbranquiçada e com uma propriedade de
grudar as letras feitas, na maioria das vezes, de cera de abelha ou
parafina.
Logo após as letras serem
dispostas em seu lugar, são aplicadas camadas de luto conforme
diz Pirituba. “Antigamente, quando alguém falecia, as
pessoas colocavam uma faixa pequena de pano preto sobre o peito, e
isso fazia com que as pessoas soubessem que ela estava de luto. O
luto tem esse nome porque ele é preto igual àquelas
faixas”. O luto é uma mistura de pêlos de cavalos,
melado de cana-de-açúcar e barro. Logo depois de
aplicado, ele seca, e as letras e símbolos fixados
anteriormente ficam gravados na camada externa do luto. Depois de
tudo pronto, é colocada a fêmea sobre o macho, deixando
a extremidade inferior bem lacrada.
Em seguida, o molde é
enterrado a alguns metros de profundidade, em terra bem
compactada, para não haver a
possibilidade de ele se dilatar e
o cobre se perder. Esse cobre é derretido dentro de
uma grande fornalha e desce em direção aos sinos
enterrados como uma lava incandescente. Os sinos estão
interligados por caminhos feitos de alvenaria feita
especialmente para as peças em fabricação
naquele momento. Depois de colocado o cobre, o sino
fica enterrado por 24 horas ou mais, e depois é retirado
com a ajuda do mesmo guindaste manual com que foi colocado.
O que
parece apenas um trabalho simples para alguns é, para os
sineiros, motivo de orgulho em poder dizer que estão mantendo
uma tradição. Para ele, não se trata apenas de
produzir sinos, é uma forma de mostrar a importância de
um objeto quase esquecido por muitos e de grande valor, por mais rara
que seja a sua fabricação.
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