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Homem
Máquina
Sthefânia de Melo
4º período de
Jornalismo
Liguei meu computador para escrever
esta crônica que deve ser entregue amanhã. Antes de
abrir o Word, fui dar uma olhada no meu Orkut e claro, no Orkut dos
outros. Nossa! Como a vida das pessoas no Orkut é mais
deliciosa do que uma novela das oito. Os romances são
inspiradores, mas não são duradouros e nem sempre
terminam bem como na TV. Às vezes, fica até difícil
separar o que faz parte da vida real e o que é, somente, uma
invenção da vida no mundo virtual.
Nos perfis, os Carlos, Clarisses,
Fernandos, são Drummonds, Lispectors, e Pessoas... As imagens
e fotos são incríveis e realmente falam mais que as
palavras... Beijos, abraços, cachoeira é tudo colorido
e lindo!
Meus amigos de Orkut são
aqueles que realmente eu conheço ou conheci na vida real.
Alguns até não vejo faz muito tempo, como a Marina que
está grávida, barrigão que vi nas fotos que ela
tirou sorridente. O André, que estudou comigo no colegial, que
casou e aparenta estar super bem e a Camila, que voltou com o Rafael
depois de um mês que ficaram separados. Acompanhei tudo, dia -a
- dia pelo Orkut. Uma grande coluna social que não está
no jornal, mas está na internet.
Na internet, o mundo real se mescla
ao imaginário, formando o mundo virtual. O Orkut como coluna
social é mais que uma rede de relacionamentos. Ali, as pessoas
inventam um mundo vestindo suas máscaras sociais. E como
estudante de Comunicação Social eu não poderia
ficar de fora.
Agora, voltando à página
do Orkut, reparo meu perfil. Na parte que descreve “quem sou eu”
coloquei um poema que Mario Quintana escreveu. As fotos mostram os
momentos mais bonitos que vivi. E há apenas duas coisas
verdadeiras sobre mim, o que eu gosto de comer e meu programa de
TV preferido.
É um mundo meio mágico,
estou rodeada de pessoas, mas não posso tocar ninguém.
Vejo fotos, imagens, mas não posso olhar olho no olho. Estou
sentada em frente a uma máquina que funciona como uma extensão
de mim mesma, me comunicando com várias pessoas. Este contato
é tão intenso e cotidiano que nos transformamos em
homens máquinas.
Acabo meu texto e desligo meu
computador. Ainda prefiro andar nas ruas a navegar na internet e é
melhor conviver com o meu eu do espelho do que o eu que criei
no meu Orkut. Vou voltar para o mundo real e para o aperto de mãos,
tentarei ser cada dia mais humana e menos máquina.
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