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Teatro
de rua: Arte e Cultura
Espalhar
sorrisos e sonhos por onde passa, essa é a função
do artista de rua, circo e palcos
Danielle Maia |
| Atores fazem das calçadas o palco |
Danielle
Maia
6º
período de Jornalismo
O
espetáculo vai começar. Dentro de um camarim
improvisado com lençóis, começa a nascer aquele
que passa seus dias a alegrar a quem transita pelas ruas, calçadas
e praças. A cada toque de tinta, as cores vão dando
mais vida àquele que estava guardado dentro de uma simples
mochila. Ao fim de um rosto pronto e roupas coloridas, eis que eles
surgem, trazendo alegria e sonhos, ilusões fantásticas
em um mundo de fantasias. Seus nomes? São os mais criativos,
mexendo com a imaginação da criançada e até
de adultos. Pipoca, Pudim, Gelatina, Estrelinha, Alluado, MImi,
dentre muitos outros, são os personagens que antes estavam
guardados dentro das mochilas de Jader, Guthi, Luana, Danielle, Luiz
e Ramírian.
O
teatro de rua é uma das manifestações populares
mais antigas que ainda têm espaço no meio cultural do
cidadão. Quem nunca viu um homem estátua, palhaços
para animarem inaugurações de lojas, malabaristas no
sinal? Então não viram a arte do teatro se manifestar
ainda!
Abusando
do teatro dell’ art, conhecido pelo grande improviso em que os
atores fazem suas cenas, na comédia dell’art também
são utilizados vários recursos mímicos, em que a
estrutura das encenações não são como em
teatros fechados, disponibilizando equipamentos e palcos. No teatro
de rua, os palcos são as calçadas, e as poltronas dão
lugar aos passos largos de pessoas desconhecidas que, num momento de
curiosidade, despertam-se ao olhar artístico manifestado
naquele instante. Faz-se, então, o teatro mágico de
rua, onde público e artista se encontram.
Muitas
pessoas usam a arte do teatro de rua para fins lucrativos, e se
esquecem de um dos grandes lemas artísticos, que traz a
capacidade e o dever de trazer alegria para quem vê. Nessa
“desvalorização” cabe, muitas vezes, a falta de
incentivo, como diz o artista que trabalha com teatro e circo há
8 anos, Jader Marinho: “Devemos abrir nossa mente para poder
diferenciar o que é artístico e o que não é...
porque muitas pessoas têm uma concepção errada a
respeito dos atores de rua (artistas mambembes). Muitos pensam que
somos sem-vergonha, vagabundos que vão pra rua para arrancar
dinheiro do povo... Devemos isso a pessoas que realizam de forma
errada sua arte de rua.”.
Caras
pintadas, uma bolinha vermelha no nariz, roupas chamativas e vozes
chamando a multidão. Contam histórias, narram
acontecimentos, improvisam o dia-a-dia. Esse é o teatro de
rua. Desperta a atenção de quem passa dentro dos carros
e de quem passa pela praça onde o grupo se apresenta. A
alegria e o sorriso contagiante da criança que olha
atentamente para cada gesto, pipocas, refrigerante e algodão-doce
estão liberados durante o espetáculo.
É
aquele que traz um frio na barriga do artista, uma sensação
de ser realmente o personagem que ele representa, de se transformar a
cada passada de tinta no rosto, e, ao final, o grande nariz vermelho
para dizer que aquele não é mais quem começou a
se pintar, mas o artista, a pessoa que irá trazer alegria a
quem precisa e sorrisos a quem passa pela rua. “Teatro de rua é
a forma mais livre que o ator tem de libertar seus pensamentos. por
isso me sinto totalmente à vontade para levar às
pessoas as mensagens propostas nos nossos textos e a possibilidade de
levar a cultura à população mais carente. Isso
me deixou muito feliz, pois o sorriso de uma criança que nunca
viu um espetáculo teatral é indiscutível.”,
relata Jader Marinho.
Fazer
da arte um movimento de expressões e demonstrações
humanas, trazer, a quem necessita, alegria, sonhos e fantasias: essa
é a grande função do teatro de rua e de seus
artistas. |