O sonho que rola pela grama
Meninos buscam no futebol realizar um sonho que poucos conseguem

Helenaldo Oliveira
Marcos Vinicios viaja em novembro para fazer teste no Cruzeiro, da capital.
Helenaldo Oliveira
3º período de Jornalismo

Quem nunca teve um sonho,quando criança, de ser médico, piloto de avião, aeromoça, policial ou advogado? Mas nunca uma profissão foi tão sonhada e desejada como a de jogador de futebol. Todo garoto que se encontra em qualquer lugar, seja na rua, em uma praça ou em um shopping, quando indagados sobre seu maior sonho, a resposta é imediata: “Ser jogador de futebol”. Seria pelos altos salários, pela fama ou simplesmente por gostar?

O auxiliar técnico de um dos dois times profissionais de Uberaba, o Nacional Futebol Clube, Rui Rezende, que coordena as categorias de base há 24 anos, afirma: a maioria dos garotos que tem idade até 13 anos não pensa muito no dinheiro. “Eles nem têm noção de quanto dinheiro tem um “Ronaldinho”; eles treinam porque gostam mesmo de jogar bola”. E é o que reforça Márcio Henrique, de 12 anos, que treina na categoria mirim do Nacional. “Nem penso nisso. Eu jogo porque gosto mesmo”. Márcio é um dos destaques da categoria e treina 2 vezes por semana. Mora longe do campo de treino e mesmo assim não perde nenhum treino. Luislaine Aparecida Almeida, mãe de Henrique, que acompanha o filho nos jogos e em alguns treinos, diz que apóia o filho no que for preciso para ele ser um jogador de futebol , mas afirma que antes de tudo ele tem que estudar.

Um dos trampolins para a carreira de atleta são as escolinhas de futebol. Existem várias delas em Uberaba, algumas menos conhecidas já que a cidade possui apenas dois times profissionais: o Uberaba Sport Club e o Nacional Futebol Clube. Uma das escolinhas que possui uma excelente estrutura para esse fim é a escolinha do Cruzeiro, que tem sua sede no campus da Universidade de Uberaba. Ela existe há 2 anos e foi criada por meio de uma parceria do clube com a universidade, através do professor e coordenador técnico da escolinha, Túlio Gustavo do Prado. O professor conta que a escola serve tanto para descobrir talentos como para as atividades acadêmicas dos alunos de Educação Física. E, assim como Rui, Túlio também afirma que os garotos mais jovens não pensam no dinheiro. Ele diz “Os menores querem apenas fazer o que o “Ronaldinho” e o Kaká fazem com a bola”. Mas conta também que uma minoria pratica o futebol por influência dos pais, que por algum motivo tiveram certa frustração na infância e vêem no filho a salvação - o que, segundo o professor, não é bom para a criança. Atualmente a escolinha possui cerca de 130 atletas, dispostos em cinco categorias, pré-mirim que são garotos de 7 a 10 anos, mirim: de 11 a 13 anos; infantil, de 13 a 15 anos; juvenil de 15 a 17 anos; e os juniores que têm idades de 17 a 20 anos. Túlio diz que para entrar na escolinha o atleta paga uma taxa de R$ 30,00 por mês, ou, passando por uma “peneirada”, que é feita uma vez ao ano, ele é isento desta taxa. “Se o garoto for “bom”, ele entra na escolinha agora mesmo, nem passa por “peneira”., conta o professor, referindo-se à necessidade de trazer bons jogadores para o Cruzeiro.

E quem tem uma grande chance de realizar o sonho de ser um grande jogador de futebol é o garoto Marcos Vinícios, de 14 anos. Ele passou em uma peneirada na escolinha do Cruzeiro, em Uberaba, há dois anos, e, desde então, vem treinando forte no campo e na academia, que também é dentro da universidade. Marcos diz que além dos estudos treina 4 vezes por semana, e que em novembro vai para Belo Horizonte fazer um teste no time da capital. Ele tem como ídolo Cristiano Ronaldo (atacante da seleção portuguesa), e que também não pensa no dinheiro, “Meu sonho é ser profissional, o dinheiro é conseqüência. A única coisa que eu queria era comprar uma casa para meu pai.

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2008