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Espaço social
mais restrito para os fumantes
Novas leis e aumento nos
impostos fazem o cotidiano do fumante cada vez mais difícil
em ambientes coletivos
Marcelo Lara
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| Com as novas leis, fumar passa a ser um vício dificil de manter |
Andréia Rosa
de Carvalho
Mônica Salmazo
3º e 4º
período de Jornalismo
Cada vez mais o cerco
se fecha contra os fumantes. A campanha do Dia Nacional de Combate ao
Fumo, dia 29 de agosto de 2008, trouxe como tema: “Ambientes 100%
livres de fumo: um direito de todos”. Ao ser questionado sobre sua
opinião quanto ao projeto federal de proibição
do fumo em ambientes fechados, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva diz “eu defendo, na verdade, o uso do fumo em qualquer
lugar. Só fuma quem é viciado”. A intenção
da campanha é que os fumantes se sintam “sem lugar” para
satisfazerem o vício do tabaco. A promoção e o
marketing de produtos derivados do tabaco junto ao público
jovem são essenciais para que a indústria do fumo
consiga manter e expandir suas vendas. O tabaco é a segunda
droga mais consumida entre os jovens, no mundo e no Brasil, e isso se
deve às facilidades e estímulos para obtenção
do produto, entre eles, o baixo custo. A isto somam-se a promoção
e a publicidade, que associam o tabaco às imagens de beleza,
sucesso, liberdade, poder, inteligência e outros atributos
desejados especialmente pelos jovens. A divulgação
dessas idéias ao longo dos anos tornou o hábito de
fumar um comportamento socialmente aceitável e até
positivo. A prova disso é que 90% deles começam a
fumar antes dos 19 anos de idade. Seduzir os jovens faz parte de uma
estratégia adotada por todas as companhias de tabaco visando a
reabastecer as fileiras daqueles que deixam de fumar ou morrem, por
outros consumidores que serão aqueles regulares de amanhã,
segundo o Ministério da Saúde.
A OMS (Organização
Mundial de Saúde) e a OPAS (Organização
Pan-Americana de Saúde) revelam que, no Brasil, ocorrem,
aproximadamente, 200 mil mortes, ao ano, decorrentes do tabagismo,
que no mundo são 5,4 milhões de pessoas ao ano (mais do
que a soma das vítimas de tuberculose, malária e Aids)
e que são gastos R$ 338,6 milhões, pelo SUS, em
internações e quimioterapia anualmente no Brasil.
Devido à
emancipação da mulher no mercado de trabalho e ao
reconhecimento cada vez maior na sociedade, seu papel foi modificado.
Ela passou a ter mais voz no campo social. Com isso, a mulher passou
a ser o alvo predileto da indústria do tabaco, trazendo a
idéia de emancipação e independência. Foi
o que ajudou para que o número de fumantes, principalmente do
sexo feminino, aumentasse.
Para o fumante Ronaldo
Rosa dos Santos Filho, 27 anos, barman, a influência das
baladas, da bebida e dos amigos torna tudo mais fácil para que
o jovem comece a fumar; ao contrário da ex-fumante Mariza
Cury, 45 anos, que admite que foi por causa das propagandas. “Na
minha época tinha aquela propaganda do Roberto Carlos batendo
na porta de uma casa e tirando um cigarro do bolso e fumando. Era o
maior charme. Eu achava elegante e bonito. Então, resolvi
experimentar e fui mantendo o vício por achar bonito, até
que me dei conta que era o contrário. Hoje, se fico perto de
alguém que fuma, me sinto desagradável. O cheiro é
horrível”.
No Brasil, foram gastos
mais de 44 milhões de reais apenas com publicidade no ano de
2007, segundo o jornal Folha de São Paulo. Na publicidade, as
indústrias resolveram promover ações de
responsabilidade social, decorrentes da queda de fumantes. Em suas
campanhas, as palavras “adulto” e “proibido” eram usadas de
forma indireta por atingir os jovens, já que a formação
da personalidade, da consciência crítica e a construção
da auto-estima ocorre nessa fase de rebeldia. Em 1957, um executivo
de uma das maiores empresas de tabaco do mundo, a Philip Morris,
disse: “atingir o jovem pode ser mais eficiente mesmo que o custo
para atingi-los seja maior, porque eles estão desejando
experimentar, eles têm mais influência sobre os outros da
sua idade do que eles terão mais tarde, e porque eles são
muito mais leais à sua primeira marca”, referindo-se aos
custos da propaganda.
Contra todo o modo de
publicidade e uso do tabaco, encontram-se os fumantes passivos. O
tabagismo passivo é a terceira maior causa de morte evitável
no mundo. Somente no Brasil morrem sete pessoas por dia que convivem
com pelo menos um fumante dentro de casa. Existem dois componentes
principais de poluição tabagística ambiental
(PTA) que são extremamente prejudiciais: a corrente primária
(fumaça exalada pelo fumante) e a corrente secundária
(fumaça que sai da ponta do cigarro); sendo, a segunda, a
principal por representar 96% do tempo da queima quando ela é
formada, segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer).
“Uma pessoa pode
saber profundamente a respeito do cigarro e de seus males e, mesmo
assim, ‘sentir-se atraído’ por seu consumo. Diversas são
as explicações psicológicas a respeito dos
determinantes do tabagismo. O nível emocional e psicológico
afeta tanto, ou até mais, as respostas comportamentais do
indivíduo. Algumas se baseiam nos mecanismos de aprendizagem e
de imitação pela convivência com fumantes.
Outras, consideram como maior determinante para o consumo de tabaco a
questão de pertencer a um grupo social. E outras, ainda,
acreditam estar relacionadas ao período de desenvolvimento
psicológico vivenciado na infância, sendo o fumo uma
associação inconsciente a sensações
prazerosas da infância (assim como a chupeta associa-se à
sensação de prazer do bebê em relação
ao seio materno)”, diz a psicóloga Fabiana Carolina de
Souza. “A imagem que é gerada em relação ao
tabaco é, na maioria das vezes, associada à busca da
identidade, poder, auto-suficiência, qualidades almejadas pelos
jovens que querem, através do cigarro, provar sua total
liberdade”, completa Fabiana.
Caroline Romualdo, 21,
estudante de Odontologia da Uniube, é fumante passiva nas
horas de lazer em bares, festas e boates. Sente-se muito incomodada
quando tem alguém fumando por perto e muitos fumantes nem
desconfiam do incômodo que provocam. O momento em que mais se
sente incomodada é quando sai e percebe que até mesmo
quem não fuma, às vezes, resolve acender um cigarro.
Diz que é complicado selecionar lugares separados para
fumantes e não fumantes e que, se existisse a separação,
seria difícil quando fosse sair, pois ficaria em lugares
diferentes de seus amigos fumantes. “Seria uma situação
constrangedora. Gostaria que fossem colocadas em prática as
leis que proíbem fumar em lugares de alimentação
e fechados, ou houvesse a separação. É
complicado porque é inevitável você sair e não
voltar com o cheiro impregnado na roupa e no cabelo.”
O cigarro é o
único produto legal que causa a morte da metade de seus
usuários regulares. Isto significa que de 1,3 bilhão de
fumantes no mundo, 650 milhões vão morrer
prematuramente por causa do cigarro. E cerca de 100 mil jovens
começam a fumar todos os dias, de acordo com a OMS.
“Eu me sinto muito
mal, desconfortável e sem ar, muitas vezes dentro da minha
própria casa”, afirma Waldeir Emanuel dos Santos, 21,
estudante de informática no CEFET. Ele é fumante
passivo, principalmente no ambiente familiar, e percebe que poucas
pessoas cumprem a lei e separam lugares diferentes para fumantes e
não fumantes. Waldeir afirma que nunca namoraria alguém
que fumasse e não suporta nem o cheiro.
A psicóloga
Fabiana de Souza revela que um não-fumante não utiliza
o cigarro por vários fatores, que são intrínsecos
a ele. Diz que quando ele se vê “invadido” pela fumaça
do cigarro de outro, se sente violado em seu direito de não
fumar e, também, violado em sua escolha. “Isso realmente
gera um grande desconforto”, conclui.
Maria vai com as
outras
A Teoria da Espiral do
Silêncio foi formulada pela pesquisadora alemã
Noelle-Neumann, que consiste em uma maneira de decifrar o mecanismo
psicológico que induz as pessoas a seguir opiniões que
não sejam delas mesmas, evitando serem excluídas
socialmente. Ou seja: diz que o ser humano busca a relação
social através de um estudo psicológico da opinião
geral. E depois procuram se expressar dentro desses parâmetros
para que não caiam no isolamento. O que geralmente ocorre com
a maioria dos jovens é que começam a fumar para se
inserir no meio social e se sentir aceitável, deixando de lado
os próprios princípios e se mantendo calados.
De acordo com a OMS, os
governos mundiais devem adotar seis medidas para que o número
de fumantes diminua. São as seguintes: - Monitorar o uso do
tabaco e as políticas de prevenção; - proteger
as pessoas contra a fumaça do tabaco; - oferecer ajuda para
cessação; - advertir sobre os riscos à saúde;
- reforçar a proibição de propaganda, promoção
e patrocínio pelas empresas de tabaco; - aumentar os impostos
sobre produtos de tabaco.
A psicóloga
Fabiana diz que, assim como a dependência fisiológica,
existe também a dependência emocional. O uso do cigarro
sempre está associado a algum prazer, que varia de pessoa para
pessoa. Pode ser a diminuição da ansiedade, a aceitação
social, a fuga através do cigarro de estados sem prazer, entre
outros. Sendo assim, a interrupção de seu uso exigiria
do indivíduo uma readaptação no sentido
emocional e psicológico.
As recentes leis, como
a Lei 9.294/1996, e o decreto nº 2.018, dizem respeito à
implantação de áreas reservadas para fumantes em
ambientes fechados. Também proíbem o uso de cigarro ou
qualquer produto do gênero em recinto coletivo, privado ou
público, salvo em área destinada exclusivamente a esse
fim. Há a lei 10167/2000, que proíbe a propaganda por
meio eletrônico e em eventos esportivos e culturais nacionais.
Já é notável, para os estudos de institutos como
o INCA, que, nos últimos 14 anos, o Brasil viu a porcentagem
de fumantes cair de 35% para 22%.
O projeto do Ministério
da Saúde está sendo analisado na Casa Civil desde o mês
de fevereiro e ainda não tem previsões de quando será
repassado ao Congresso.
Assim, o Brasil
continua na sua luta contra o cigarro, educando a população
sobre os malefícios do vício e os retornos
exaustivamente negativos. Quando estiver em lugar público,
lembre-se, fumante: o certo é não fumar, mas, se fumar,
não prejudique a saúde dos que estão ao seu
redor.
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