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Falta
sensibilidade
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| Desenho por Lucas Júnior |
Maria
Camila Osorio Ortiz
4º
período de Jornalismo
Andando
pelas ruas procurava alguma coisa para relatar. Parecia tudo tão
monótono, tão do dia-a-dia e sem emoção,
que só conseguia enxergar muitas pessoas divagando sem noção
do espaço; como se fossem programadas pela manhã e
marcassem nelas um itinerário no qual o contato com o outro
não existisse, ou pelo menos com esse outro desconhecido que
vai junto a você no ônibus, que anda do mesmo lado da
calçada, aquele distante, mas igual a você.
Foi
passando o tempo e eu ainda divagava no tema da crônica a
fazer. De repente, me lembrei do lema: “Uberaba: uma cidade para
todos”. A palavra todos ficou ecoando na minha mente fazendo-me
lembrar dos rostos que tinha reparado enquanto pensava na narração:
rostos com olhares tristes e alegres, rostos mal humorados,
preocupados e felizes, rostos abatidos talvez, rostos com esperança
que constroem esta cidade independentemente da sua origem: do Rio de
Janeiro, Campo Florido, Araxá, São Paulo, quem sabe
quantas cidades mais e quantos olhares passam despercebidos diante de
nós.
Pensei
nas historias daquelas pessoas, em como poderiam ser: a infância,
o amor, a família, os amigos, de tudo o que traz a vida. Nesse
momento, senti uma vontade de chegar e entrar nas histórias,
aprofundar nelas e transmiti-las, mostrando que elas compõem a
cidade. Que são muito mais importantes que aquelas coisas com
boa aparência, mas sem entranhas.
Por
muito tempo, fiquei sentada na calçada tentando perceber os
olhares através do meu sentir. Algumas pessoas ficavam me
olhando com desconfiança, outras se sentiam intimidadas e
preferiam “fugir”, e, com outras, conseguimos manter os olhares
fixos até desaparecer entre os passos ou no meio de um
sorriso.
Pouco
a pouco tudo isso foi me levando a refletir sobre o Jornalismo, sobre
o que eu quero e deveria oferecer à sociedade dentro desse
mundo da Comunicação Social. E ainda com os olhares na
minha memória confirmei que disso trata-se essa profissão.
É necessário ter a sensibilidade para encontrar o novo
dentro do que na maioria das vezes é cotidiano, e fora disso
ter, também, a sensibilidade e o respeito para desenvolver os
fatos e transformá-los numa matéria. Mas que coisa
difícil, não é?
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