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Eu
amo, tu amas, ele ama..
O
estudo do amor explica, mas isso não quer dizer que alguém
entenda
Reprodução
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| Afrodite, a deusa grega do amor |
Belissa
Nougueira
3º
período de Jornalismo
O
amor é um sentimento que predispõe alguém a
desejar o bem de outrem. Sentimento de dedicação
absoluta de um ser a outro, ou a uma coisa. Inclinação
ditada por laços de família. Inclinação
sexual forte por outra pessoa. Afeição, amizade,
simpatia. Estas são algumas das várias definições
do Aurélio dadas a esse sentimento tão complicado. Mas
será que sabemos o que é o amor?
A
psicóloga e professora da Universidade de Uberaba - Uniube,
Simone Aparecida dos Santos, explica que, dentro de alguns conceitos
da Psicologia, o amor está relacionado à paixão.
Na paixão, há várias características que
geralmente são sintomas relacionados à atração
sexual, manifestações fisiológicas, como o
famoso frio na barriga e o coração disparado. Nesse
período, ocorrem várias reações de
desejo. “O simples fato de se lembrar da pessoa já aflora o
desejo. Mas isso pode vir de uma maneira fantasiosa, o que acontece
na falta de reciprocidade, no caso de uma paixão platônica.”
No
início do relacionamento, quando se tem em contrapartida, como
resposta do parceiro, uma recíproca dos desejos, a paixão
intensifica-se, mas tem certa durabilidade da relação.
“Pesquisas mostram que a paixão tem validade; o nosso corpo
não fica respondendo da mesma maneira por muito tempo, mas
isso não significa que deixa de acontecer. Tem certo período,
no qual essas reações acontecem de forma mais intensa,
que nos prepara fisiologicamente e corporalmente para nos
relacionarmos com o outro. Nós precisamos do prazer para dar
início a um relacionamento”, explica a psicóloga.
O
amor geralmente passa por alguns períodos, de acordo com
Simone. “O primeiro é o desse encantamento, dessa paixão,
em que ela pode se transformar em amor, o que seria algo mais
duradouro. A paixão seria muito física; eu gosto do
jeito da pessoa, eu gosto do jeito que ela me olha, gosto do jeito
que ela toca, muito fisiológica. Depois que tudo isso passa, e
o amor fica associado a esse relacionamento, aumenta o nível
de evolução, e isso significa que o encantamento passa
a ser por outras características, eu gosto das mesmas coisas
que ela gosta, eu gosto de estar do lado da pessoa. Quando tem amor,
a vontade do permanece, intensificando o interesse pela
vida do outro e o prazer ao fazê-lo.”
A
busca por algo que complete, pela característica que falta,
por alguém que traga felicidade. Muitas vezes, não é
possível explicar o que realmente faz parte da procura, não
existe um padrão. Segundo a psicóloga, em muitos casos,
não há como explicar a razão do encantamento.
Tudo acontece de forma inesperada. “Na verdade, a busca costuma ser
pelo que traz felicidade, não necessariamente pelo outro. As
características que a pessoa passa a conhecer, que estimulam o
interesse, acontecem de forma inesperada e sem explicação.”
Na
Psicologia, várias linhas de pensamento tentam explicar o ser
humano. Citado por Simone, o behaviorismo baseia-se principalmente na
relação do comportamento com o ambiente. A teoria
explica o porquê de fazer as coisas, o porquê de deixar
de fazer, o que aconteceu em uma história de vida fazendo com
que uma pessoa se interesse por outra. “Seria a busca pelo
complemento, um reforço”, explica ela.
Ainda
no behaviorismo, existem vários elementos reforçadores
no amor. O medo da separação e a vontade de estar
junto, como descreve Burrhus Frederic Skinner, psicólogo
contemporâneo, em sua análise do sentimento no
comportamento, é um efeito interno de um reforçador
quando dizemos que ele “nos dá prazer” ou “faz com que
me sinta bem”. “Se a pessoa tem um comportamento e consegue algo
de bom, ela começa a repetir o ato. Em um relacionamento, por
exemplo, se eu me interesso por alguém e em uma estratégia
de conquista sou correspondida, a probabilidade de que, no futuro,
quando eu estiver interessada em outra pessoa eu repita a ação,
é certa. É isso o que se chama de reforçador”,
afirma Simone. Skinner, fazendo uma relação à
felicidade, diz que o conceito de amor é a busca por
características que reforçam o comportamento,
proporcionando, assim, a felicidade de ser completado.
A
psicóloga fala também sobre a questão da
dependência, da espera por reciprocidade, que acarreta a
continuidade da relação. “As pessoas estabelecem
algumas regras e, através delas, algumas crenças, como
a de que o amor é incondicional. Algumas pessoas têm a
visão de sua posição no relacionamento como
sendo capaz de fazer com que o outro haja de forma diferente e
melhor. Essa idéia faz com que ela ou ele se esforce cada vez
mais para agradar o parceiro. ” O amor vem carregado dessa visão
social, o que não é errado, segundo a professora e
psicóloga. Ela diz que é importante o questionamento
sobre o relacionamento, do porquê da continuidade de uma
relação que sufoca. Nem sempre a espera traz resultados
e, mais ainda, nem sempre essa dependência pode ser chamada de
amor.
Partindo
do amor, entra-se em uma nova porta, chegando ao extremo. “Depois
que o amor ‘nasce’, sabemos que existem seus extremos, entrando
na questão da dependência e do ciúme exagerado.
Quando há uma relação em que um dos lados é
muito dependente do outro, pode-se ter uma pessoa muito abusiva. Em
alguns casos, algumas características de personalidade podem
permear essa relação: a possessão, a questão
do outro como ‘meu’.”
Quando
o assunto é o amor, normalmente, a primeira idéia que
vem à cabeça é a de relacionamento entre um
homem e uma mulher ou até mesmo uma relação
homossexual, mas o sentimento é bem mais abrangente. Existe
amor na amizade, nas relações miliares, nas quais
também podem ocorrer o ciúme, a dependência e a
possessividade. Simone diz que nessas outras relações
também há essa questão do gostar, de querer a
companhia. “Acontece muito de, em uma amizade, a pessoa encontrar
tantas coisas em comum que, talvez, a partir desse amor, que a
amizade vai nutrir, aconteça um novo tipo de desejo, surgindo
a paixão.”
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