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Barrados
no mercado de trabalho
A
falta de capacitação é um dos problemas
enfrentados
Aline Nogueira
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| Rosemary sofreu preconceito quando começou trabalhar, hoje lê em braille enquanto espera pela proxima ligação |
Aline
Nogueira
3º
período de Jornalismo
Pessoas
com deficiência sempre encontram várias barreiras para
se inserir no mercado de trabalho. Um dos principais obstáculos
para esta conquista é a falta de capacitação,
acredita Maria da Conceição Aguiar Santos, a Cota,
diretora administrativa da FADA, Associação de
Assistência a Pessoa com Deficiência de Araxá.
Cota
já está há 24 anos na associação e
alega: “As ofertas de emprego são muitas, mas a inserção
é baixa porque a maioria das pessoas com deficiência não
está capacitada para trabalhar”. Hoje, muitas pessoas com
deficiência não têm nem o Ensino Médio. São
muitas barreiras que enfrentam para estudar, principalmente a falta
de acessibilidade. A maioria das escolas não é adaptada
para receber pessoas com necessidades específicas, o que gera
um desconforto para quem precisa se locomover, principalmente em
cadeiras de rodas e muletas, além de o transporte público
também não estar pronto para transportar estas pessoas.
Cota afirma que geralmente a família é o primeiro
obstáculo. “A família, muitas vezes, impede a ida
deles para a escola. Às vezes por vergonha, medo que sejam
agredidos e se decepcionem.”
Outro
ponto que também atrapalha na hora da oferta de trabalho é
o BPC (Benefício de Prestação Continuada),
conhecido como aposentadoria. Muitas vezes, a família acha
mais conveniente “aposentar” um deficiente porque acredita ser
difícil a sua adaptação e, quando surge uma
oportunidade de emprego, estes ficam receosos em largar o benefício
para trabalhar e se arriscar na carreira profissional.
Para
Cota, ainda existe preconceito em relação aos
deficientes, mas muita coisa mudou. “Antes, as pessoas ficavam
receosas ao tratar uma pessoa com deficiência, não
sabiam como lidar; mas tudo isso já está sendo
superado. O modo de ver um deficiente já melhorou muito”,
afirma Cota.
Cota
também é deficiente. Vítima da paralisia
infantil, afirma que, depois de tanto trabalhar com o pensamento das
pessoas, fica feliz em ver a comunidade se preparar para receber as
pessoas com deficiência e se realiza a cada nova contratação
para o mercado de trabalho. Mas conta que, apesar de tantas
conquistas, ainda existem problemas. Segundo ela, indigna – se
quando chega a um lugar e é “barrada” em virtude da falta
de acessibilidade.
Sobre
a inserção de deficientes no mercado de trabalho, Cota
deixa um recado para as autoridades políticas: “Antes de o
governo pedir a inclusão de deficientes, ele deve proporcionar
condição financeira e capacitação
para que ele possa sair de casa”.
Rosemary
Borges Vaz é deficiente visual e trabalha há dois anos
em uma empresa de Araxá como telefonista. Ela tem trinta e
sete anos e antes deste emprego ainda não havia trabalhado em
nenhum lugar.
Ela
conta que teve algumas dificuldades para entrar no mercado de
trabalho. Um dos motivos é a dificuldade de adaptação
de material para o uso do deficiente e também de locomoção,
pois sempre é necessário a ajuda de alguém.
Rosemary
sofreu preconceito quando começou a trabalhar. Ela conta que
as pessoas diziam “coitadinha dela, não vai dar conta”.
Lembra que no seu trabalho é necessário somente ouvir,
e isso ela consegue. “Tenho deficiência visual e não,
auditiva”, dispara, e salienta que existem precariedades na
contratação de PNE’s (Portadores de Necessidades
Especiais) não por parte do empregador, explica, mas por parte
do empregado. “Hoje, as vagas são muitas e deficientes
qualificados são poucos. Tem vaga, mas não tem
profissional qualificado.”
Por
experiência, acredita que 90% dos deficientes não estão
capacitados, e completa: “Muitas empresas contratam para ficar
dentro da lei. Não acho correto: devem contratar pessoas
qualificadas como as outras”. Para ela, as empresas não
estão prontas para receber estes profissionais, pois não
existe um programa de capacitação. Rosemary foi
contratada antes de a lei ser sancionada. Chamaram-na para ser
entrevistada e está até hoje na função.
Rose,
como é chamada pelos colegas, trabalha apenas seis horas
diárias porque a carga horária de telefonista é
reduzida. Dá aulas de Braille às terças e
quintas, estuda inglês segundas e quartas. Faz atletismo:
lançamento de dardo, disco e peso. Já praticou
Taekwondo e chegou até a terceira fase, mas parou porque
começou a trabalhar aos sábados .
Antes
de começar a entrevista, Rose estava lendo o livro “Existe
outra saída, sim!” de Rachel de Queiroz, que fala,
coincidentemente, sobre questões sociais.
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