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A prosperidade do oito
Gustavo
Teixeira
4º
período de Jornalismo
Dia
oito de agosto de dois mil e oito, o que em numeral seria
(08/08/2008). Hoje, acordei um pouco mais cedo que de costume, afinal
hoje não é como ontem e outro dia assim só daqui
a quatro anos. Escovei os dentes, preparei meu café da manhã
fui tomá-lo na sala, assistindo TV.
Demorou
um pouco, mas finalmente começou a tão esperada
abertura desta que promete ser a olimpíada mais grandiosa dos
últimos tempos. E é bom não duvidar, pois se
tratando de um país com crescimento econômico anual
acima dos 10% pelo quinto ano consecutivo, situado literalmente no
centro do mundo, com uma das maiores extensões territoriais e
disparado a maior população mundial, eles vão
dar espetáculo!
O
show começa às nove horas da manhã aqui no
Brasil, o que significa pontualmente às oito horas da noite na
China. A constante presença do oito tem explicação:
é que lá esse número representa prosperidade.
Com uma beleza sem igual em coreografia, música e iluminação
são contados cinco mil anos de história da China. Anos
antes e depois de Cristo, invenções das quais mais se
orgulham como o papel, umas das principais contribuições
da China ao mundo ocidental estão representadas no centro do
que batizaram como “ninho do pássaro”. Esse é o
nome do estádio que sedia a cerimônia e acolhe todas as
nações que, juntas, farão os jogos olímpicos
de Pequim ou Beijing (tanto faz), dois mil e oito.
Quando
começa a entrar as delegações dos países
participantes, diga-se de passagem, a parte mais chata da cerimônia
para nós telespectadores, também deu minha hora de ir
trabalhar. Arrumei-me e saí. Mas hoje realmente não é
como os outros dias; resolvi ir para o trabalho a pé, “acho
que o espírito olímpico me contagiou”, pensei.
Fui
pelas ruas não a ritmo de passeio, pois não chegaria na
hora certa, fui a ritmo de caminhada, “estava me sentindo um
atleta”, e, por sorte, todos os sinaleiros, sem exceção,
estavam abertos para minha passagem. Mesmo a passos rápidos me
chamou atenção um ipê amarelo florido junto a uma
ladeira bem íngreme. Estava com certa pressa, mas parei e
registrei aquele cenário com minha câmera fotográfica.
É,
tive certeza de que hoje realmente é um dia diferente, ainda
mais que cheguei quase junto com o ônibus ao meu destino.
Calculando por alto acho que cheguei apenas oito minutos depois.
Pronto,
já estou no escritório onde trabalho, e a tempo de ver
pela internet, em tempo real, o fim da cerimônia olímpica.
Em poucas palavras, inesquecivelmente fantástica. Trabalhei o
dia todo e na hora de ir embora encontrei uma amiga que me deu uma
carona até em casa.
Não
voltei de ônibus como de costume e nem a pé como estava
disposto. Pra mim hoje foi um dia especial, e certamente seria mais,
se não fosse por um minuto, o minuto que antecedeu minha
entrada em casa.
Nesse
minuto vi um garoto com mais ou menos oito anos de idade fazer o
sinal da cruz e dizer amém, antes de revirar a lixeira da
minha casa à procura de comida ou sei lá o quê.
É, talvez eu seja hipócrita, mas realmente preferia não
ver tal cena hoje e nem de me lembrar que infelizmente isso existe.
O
mesmo oito que na China representa prosperidade, e isso foi mais que
comprovado com a grandiosidade da abertura olímpica, aqui no
Brasil não tem a mesma simbologia, onde é preciso rezar
pra encontrar nas lixeiras a sobrevivência e assim prosperar. |