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Professor da Uniube realiza conferência na Europa
André Azevedo
discutiu as relações entre as mídias e as
ciências humanas na Universidade de Coimbra
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Professor André Azevedo aproveitou a viagem a Lisboa para visitar arquivos, bibliotecas e monumentos históricos, como a estátua de D.Pedro IV |
Taynara Prado
+ Equipe de Redação
2º período
de Jornalismo
O professor da
Universidade de Uberaba (Uniube), André Azevedo da Fonseca,
que atualmente cursa doutorado em História Cultural na
Universidade Estadual Paulista (Unesp), participou, no mês de
junho, do “Colóquio Internacional Caminhos de futuro: novos
mapas para as ciências humanas e sociais”, um evento
promovido pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de
Coimbra, em Portugal. O professor foi um dos conferencistas da sessão
“Cartografando Futuros”, que discutiu as novas metodologias das
Ciências Sociais e Humanas.
Em sua conferência,
André Azevedo chama de “Era da distração”
esse período em que consumidores desesperados por
entretenimento se dispersam por um labirinto de informação
desfragmentada através de procedimentos como o zapping e o
hiperzapping – fenômeno caracterizado quando o usuário
da Internet fica horas se distraindo por links aleatórios.
“Atualmente, o próprio espaço público se
tornou uma revista multimídia repleta de apelos aos sentidos:
outdoors, cartazes, placas luminosas, alto-falantes... Os recentes
experimentos de conversão do conteúdo da TV para os
telefones celulares apenas reforçam essa tendência de
onipresença dos meios de comunicação na vida das
pessoas”, argumenta. “Nessa era onde as mídias favorecem a
espetacularização de todas as dimensões da vida
social, as Ciências Humanas devem buscar estratégias
para se apropriar criticamente das linguagens da comunicação
e, assim, intervir na construção de sentido da
coletividade”, defende o professor.
História e
Teoria Literária
Na viagem a Portugal,
André Azevedo também participou de um ciclo de
seminários do programa de Teoria da Literatura, na
Universidade de Lisboa, e visitou bibliotecas e arquivos. Ele explica
que pretende utilizar recursos da teoria literária para
compreender alguns aspectos históricos e sociológicos
da formação da cultura política do interior
brasileiro. Na pesquisa que atualmente desenvolve no doutorado, ele
procura identificar quais as estratégias que as elites
econômicas, políticas e intelectuais do Triângulo
Mineiro empreendiam para convencer a si mesmo de que eram elegantes,
sofisticados e viviam em uma civilização avançada.
Para isso, ele estuda a ascensão social de Mário
Palmério. “Consegui identificar um forte sistema de
bajulações que sustentava todo um círculo de
poder. Mas como essas relações dependem muito da
retórica, procuro entendê-la como uma construção
literária. Ou seja, como em um teatro, esses atores políticos
encenavam um papel social e atuavam para o público através
de rituais de prestígio.
Colóquio
discutiu futuro das Ciências Sociais
Como comemoração
dos seus trinta anos, o Centro de Estudos Sociais (CES) da Faculdade
de Economia da Universidade de Coimbra promoveu, entre 18 e 21 de
junho, uma reflexão sobre as relações, diálogos
e tensões que marcam atualmente o território
heterogêneo das Ciências Sociais e Humanas (CSH), e os
diferentes contextos em que elas têm se desenvolvido, a nível
geográfico (nacionais, regionais e globais), e em nível
da sua inserção social. Os debates foram divididos em
sete grandes temas transversais, que discutiram a complementaridade
das ciências humanas e sociais, a utilização dos
métodos científicos para a transformação
da sociedade, a interculturalidade, o futuro das ciências
humanas nas universidades, as práticas de justiça
e governança social, a globalização, assim como
as estratégias para a construção da paz e da
democracia. O colóquio internacional “Caminhos de Futuro”
foi coordenado por Boaventura de Sousa Santos, o Diretor do Centro de
Estudos Sociais, e contou com a participação de dezenas
de estudantes, pesquisadores e pensadores das Ciências Humanas
e Sociais dos cinco continentes.
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