Os desafios davida universitária
Novas rotinas alteram cotidiano de quem estava acostumado com o ritmo do Ensino Médio

Leandro Luiz de Araújo
As calouras do 1º semestre de 2008: Renata(E), estudante de letras; Letícia faz Nutrição e Amanda faz Enfermagem
Leandro Luiz de Araújo
2º período de Jornalismo

Antes de chegar à Universidade o estudante passa por anos de estudos. No Ensino Médio, a pressão sobre ele aumenta, pois, além do conteúdo estudado, ele deve se preparar para o vestibular. No dia da prova, a ansiedade domina a situação, entre sorrisos e desejos de boa sorte de familiares, o frio na barriga e o medo de não passar. Porém, todas as idéias confusas que passam na mente, aos poucos, vão se dissipando e dando lugar à concen­tração necessária no momento da prova.

A mão pode ficar suada, seu corpo pode tremer um pouco, você pode sentir sensações estranhas antes da prova, mas isso não é nada mais do que ansiedade. Logo após terminar a prova, vem o alívio e a expectativa do resultado. Após o resultado positivo, a família vibra, os pais ficam orgulhosos e os irmãos com uma ponta de ciúmes, passageira.

Mas segundo a estudante Amanda Diniz Silva, o vestibular é o mais fácil. “Entrar na faculdade é o mais fácil; difícil é sair com o diploma.” E esta é a opinião de todos os entrevistados. Ela cursa o primeiro período do curso de Enfermagem, na Universidade de Uberaba (Uniube). Amanda diz gostar do curso, apesar de ter sentido uma dúvida no começo.

A maioria dos estudantes cria uma visão diferente do que realmente é a universidade. Alguns crêem que o curso será fácil, outros pensam totalmente o oposto. A universitária Letícia Macedo Lopez, que cursa o primeiro período de Nutrição na Uniube, achava que o curso seria bem mais fácil, porém quando começou a trabalhar como auxiliar de escritório, suas notas caíram conside­ra­velmente. “No começo não dá pra sentir direito como é o curso. Só tenho uma matéria relacionada diretamente com Nutrição, que é ‘Alimentos’. Eu gosto do curso, mas penso em fazer Fonoaudiologia”.

Renata Cristina Vilaça Cruz, que cursa Letras (Português-Espanhol) na UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro), também sente uma diferença entre o Ensino Médio e a universidade. Ela afirma que na escola anterior os professores facilitavam a vida do estudante e que agora eles mesmos devem correr atrás da informação.

Relacionamento
No primeiro período, o universitário amplia seu círculo social. São novos professores, colegas, amigos e talvez uma nova paquera. Letícia diz que o relacionamento entre os alunos e professores é estritamente profissional e muito frio. “Acho que eles deviam ter um contato maior com os alunos.” Amanda também fala deste contato considerado “frio” e afirma que tem apenas um professor que mantém um contato mais informal com os alunos. Sobre o relacionamento com os colegas, Renata achou muito bom. Apesar dos trotes no início, ela afirma que os veteranos a ajudaram muito.

O calouro também encontra outro obstáculo pelo caminho, que é a quebra da sua rotina. Jovens que estudavam no período matutino passam a estudar à noite e vice-versa. Outros jovens também entram no mercado de trabalho com o intuito de ajudar na manutenção dos estudos. Esse primeiro momento pode ser considerado uma fase de adaptação para os jovens.

Algumas universidades fornecem programas que colaboram para melhorar o relacionamento entre os universitários e prestar auxílio em caso de emergências. A Universidade de Uberaba, por exemplo, possui um setor denominado Programa de Atenção ao Estudante (PAE), que atende as medidas emergenciais do aluno. Em parceria com a assessoria de comunicação da universidade, o PAE criou o “Anjos da Guarda”, um projeto no qual alunos veteranos orientam os novatos em todas as situações.

 

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2008