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Profissionais do
prazer
Conheça a vida de quem faz da diversão alheia
um “ganha pão”
Diogo Lapaiva
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O músico Aulete Maia considera a diversão um assunto sério |
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O músico Marcelo Taynara é considerado pelos colegas como um exemplo de profissionalismo |
Diogo Lapaiva
3º período
de Jornalismo
Ao ver o título dessa matéria
certamente você imaginou que se tratasse de mais uma daquelas
matérias sensacionalistas sobre prostituição,
que são exploradas mensalmente pela grande mídia.
Embora tais notícias tenham lá sua utilidade, não
é de nada disso que vamos falar.
As férias,
principalmente para os adolescentes, jovens e adultos que se dividem
entre a sacrificante rotina de estudar e trabalhar, são um
sinônimo de diversão. E esse é o nosso assunto.
Quando chegamos a um bar para o nosso tão esperado happy hour
de sexta ou sábado, quase nunca percebemos que atrás
dos balcões ou em cima de qualquer palco existe um
profissional que escolheu fazer da alegria alheia um “ganha pão”.
O trabalhador mais
visado quando o assunto é entretenimento, certamente é
o músico. Esse tipo de trabalhador vive do equilíbrio
delicado entre o humor do público, que paga o seu salário
por meio de covers ou ingressos, a falta de prazer em trabalhar
quando é obrigado a executar pérolas como “crews” e
“fadas” em PUB’s, onde só se deveria tocar MPB, a
instabilidade financeira que é uma soma de todos os fatores
citados anteriormente, e mais, a arrogância dos proprietários
das poucas casas de eventos, bares e empresas que poderiam ver a
música como arte.
O professor,
percussionista e contrabaixista Aulete Maia Júnior é um
exemplo vivo dessa odisséia do músico uberabense.
Vivendo da música há cerca de 10 anos, ele passou dos
palcos às salas de aula. Segundo ele, numa cidade com tão
poucas possibilidades de trabalho artístico é quase
inevitável que um músico profissional não
desenvolva seu lado didático.
Apesar de o músico
já contar com o reconhecimento dos outros profissionais da
área e do público, ele se sente realizado ao ver que o
seu trabalho serve de embalo nas noites, mesmo não sendo
exatamente o tipo de som que gostaria de tocar. “Eu encaro a
diversão das outras pessoas com muita seriedade. Todo
profissional tem os seus dias ruins, mas o público, no caso os
meus clientes, não tem muito a ver com minhas insatisfações.
Ser profissional é justamente isso: realizar sempre bem aquilo
que se escolheu para fazer, no meu caso, música”, relata
Aulete Maia.
Outro artista que vive
da emoção das outras pessoas há mais de 2
décadas é o multi-instrumentista Marcelo Benedito
Gonçalves, conhecido no meio artístico como Marcelo
Taynara. Com dois álbuns já lançados, e com o
terceiro a caminho, Taynara já exerceu praticamente todos os
papéis dentro de uma banda. Foi violonista, baterista e
intérprete de grandes nomes ainda quando criança.
“Quando tinha 10 anos de idade, eu cantava na banda de um irmão,
geralmente cantava ‘Balão Mágico’, era um sucesso,
todos achavam uma gracinha uma
criança no palco”,
rememora o músico.
Segundo Taynara, que é
considerado pelos colegas de trabalho como um dos músicos
mais profissionais da cidade, a música não é
encarada pelo público com muita seriedade. “As pessoas acham
que todo músico está no palco por diversão”,
relata se referindo à preparação feita por ele
antes de subir ao palco e que não é quase nunca levada
em conta.
Embora Marcelo
considere o momento do show como o melhor da carreira, relata que,
hoje, o público ainda precisa de uma educação
quando o assunto é cultura musical.
“As
pessoas vão ao bar e consideram o som ao vivo como um ‘CD
Player humano’, conversam, se divertem, mas não aproveitam o
melhor da noite que é o que o músico realmente tem de
bom para oferecer”, confessa Taynara.
O promoter Guilherme
Resende também faz da noite a sua ferramenta de trabalho.
Sócio de uma das casas noturnas mais badaladas da cidade, ele
é uma autoridade quando o assunto é eventos de
entretenimento. Responsável pela contratação das
atrações, mídias e de formular os formatos dos
eventos, ele se considera um privilegiado, sente prazer em trabalhar,
e gosta de saber que o seu trabalho faz bem para as pessoas. Segundo
ele, nem sempre os eventos realizados são lucrativos. Para
ele, a parte mais estressante do trabalho é quando uma festa
não é prestigiada como deveria. Guilherme garante que a
melhor opção para quem quer se divertir é abrir
a cabeça. “Na cidade acontecem grandes eventos, tem muitos
bares, restaurantes e lugares que valem à pena ser conhecidos.
Nunca é uma boa idéia ir a um local somente, por melhor
que ele seja”, finaliza o empresário. |