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Música
para todos os ouvidos
Um passeio pelos bares de Uberaba mostra que as preferências vão do sertanejo ao jazz
4º período de Jornalismo Mapear os gostos musicais da população de Uberaba é uma tarefa que não restringe em dizer que a população gosta apenas de música sertaneja, o que seria uma dedução natural para uma cidade ruralista. Mas entre os trezentos mil moradores, os paladares vão do sertanejo ao instrumental, passando pela MPB, pelo rock e pagode. Os bares da cidade são os grandes palcos reveladores de talentos. E foi passando por esses lugares, que fui tecendo uma nova visão sobre o sabor da diversidade de todos esses gostos. Começaremos, então, pela tão estimada música sertaneja. Conhecida como “Terra do Zebu”, Uberaba não tem como fugir de suas raízes caipiras. Por isso, as pessoas gostam muito desse estilo. Existem muitos bares que tocam sertanejo. Inclusive, bares específicos, como o Rancho da Viola. A boate Finnegann’s, que antes tocava apenas música eletrônica, para atender à demanda, agora também insere a música sertaneja no seu repertório. A procura por músicos desse estilo é muito grande, mas também há muita concorrência. Sempre vemos surgir novas duplas no mercado. “A luta é constante, temos muita história pra contar. Chegar até aqui não foi fácil não, e sabemos que falta muito trabalho ainda pra sermos conhecidos por esse povo todo do Brasil”, comenta Henrique, da dupla sertaneja de Uberaba, Flávio e Henrique. Recém
descobertos pelo produtor musical Zé Renato Gomes, Flávio
e Henrique tiveram grandes avanços na carreira. “Estamos
tocando no Brasil todo agora. Semana passada fomos para o Mato
Grosso, devagarzinho a gente chega lá”, diz Henrique, super
feliz com o novo CD da dupla, que, inclusive, tem a maioria das
músicas composta pelo seu parceiro Flávio. Som de barzinho E MPB é o que não falta no Fabrício, um bairro atípico da cidade, pois em um pequeno quadrilátero reúne seis barzinhos com características semelhantes, quanto ao gosto musical. Por esse motivo, Jorge Henrique Prata Soares, Pratinha, idealizador do Festival do Chapadão de Música Popular Brasileira, em Uberaba, passou a denominá-los de circuito MPB. Os bares MPBeco, Archimedes, Berlim e Marquinho’s Vídeo Bar, passaram a ser parceiros do Festival do Chapadão, em 2008. E agora, mais um entra pra turma, o mais novo bar do circuito, inaugurado no início do mês: o Roma Art Bar Café, que além de ser um barzinho como os outros com música ao vivo, serve, também, café da manhã, almoço e jantar. Todos decorados de forma melodiosa, cada um com sua particularidade e criatividade. Paredes cheias de quadros, fotografias de músicos consagrados, discos antigos, tudo disposto harmoniosamente. De repente, os garçons começam a levar pedidos escritos em guardanapos de papel e as pessoas interagem entre si e com o músico. Cantam junto, aplaudem, se emocionam. “Esse pessoal respira cultura, cultiva e pratica o hábito de ouvir música boa. Eu só espero que esses empresários tenham sempre condições e interesse de manter a música ao vivo”, diz o músico Alexandre Saad, sobre o circuito MPB. As pessoas que freqüentam esses lugares, em sua maioria, escolhem o bar pelo músico que está tocando e não pelo bar em si. É feito “o circuito” completo. Depois de ver todas as opções e analisar o “cardápio musical”, escolhe-se a música a se ouvir e não o bar a se sentar. “As pessoas param o carro aqui na porta e perguntam: quem está tocando aí hoje?”, conta Gean, garçon do MPBeco. Continuação -> A musica como meio de vida |
Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2008 |