Minha triste rotina no ônibus

Odete Cristina
3º período de Jornalismo

São seis da matina e o despertador toca. Já tenho que levantar e o meu primeiro obstáculo é quando vou ao destino de um dos meus maiores desafios: conseguir entrar no ônibus. Só para se ter uma idéia, tenho que me locomover até dois pontos para baixo de minha casa, ou seja, uns três quarteirões abaixo.

Todo este sacrifício é para ao menos ficar na parte da frente do ônibus, bem próximo à porta, quase sendo esmagada por um batalhão de pessoas desconhecidas.

E para piorar cada vez mais este relato do meu dia-a-dia, cada pessoa é de um jeito, ou melhor, possui uma qualidade e um defeito diferentes. E quando não estou em um dia muito “bom” e me deparo justamente com aquela pessoa que não é muito amiga daquele grande e bom companheiro que é o banho?

Aí, meu Deus, sinto aquele cheiro insuportável em minhas frágeis narinas. Sinto como se o mundo estivesse acabando ali, naquele exato instante. E quando caio na real me encontro na mesma realidade, sendo pisoteada naquela disputa para alcançar o melhor lugar ou até mesmo o maior espaço. E além de tudo isso ainda tenho que aturar aquelas pessoas horríveis e fúteis criticando o grande motorista Sr. Wilson.

Ah....que senhor simpático, amável e, acima de tudo, humano sempre preocupado em conseguir levar todos os usuários do transporte aos seus devidos destinos do dia. O que é uma missão quase impossível, pois a demanda de pessoas é quase o triplo da capacidade daquele humilde “busão” pilotado por aquele senhor que amanhece disposto a dar um “Bom Dia” a todos os passageiros daquela linha de ônibus.

É muito angustiante ver a tristeza e até mesmo o desespero estampado no rosto daquele senhor. E quando ouço aquela típica frase dele “Vamos, pessoal! Apertem aí atrás, esse povo tem que caber” e daí não resulta em nada e ele teima em insistir “Vamos ficar aqui até a tarde, mas não vou deixar eles”. Isso sim posso afirmar, é um exemplo de motorista.

Infelizmente este fato se sucede todos os dias e sempre é a mesma ladainha. Isso só não acontece quando o Sr. Wilson está de folga. Daí o jeito é ter uma fé muito grande e rezar para que o ônibus das 7h30 passe na hora certa. Senão, senhores passageiros preparem as perninhas para aguardar o próximo e, é claro, enfrentar o chefinho com um ótimo argumento para explicar o atraso.

Enfim, não é fácil esta rotina e quando o dia amanhece chovendo, aí é uma molhança total. Parece que chove mais dentro do ônibus que na rua. Os tripulantes daquela longa viagem estão todos ensopados, mas sempre com uma esperança no coração. Porque amanhã será outro dia e com toda certeza o despertador irá tocar novamente às seis da matina e, quem sabe, irá despertar a atenção dos responsáveis pelo transporte e solucionar o grave problema destes humildes cidadãos.

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2008