Descanso pode virar problema
Alguns pais não imaginam, mas as férias proporcionadas a seus filhos podem ser prejudiciais


Daiane Leal Gomes
Redes de relacionamentos na Internet podem esconder grandes ameaças à segurança das crianças
Daiane Leal Gomes
4º período de Jornalismo

As férias chegaram. É hora de passear, descansar, conhecer novos lugares, visitar a família e colocar a cabeça em ordem.

Na prática não é bem assim; as férias escolares de julho quase nunca coincidem com as dos pais. E agora, o que fazer?

Para Mayra Silva, mãe de Alexandre César, 8 anos, a opção é deixá-lo com a avó, período em que ele assiste televisão ou brinca com um amigo ou outro.

A preocupação das mães neste período é a exposição dos filhos à violência das ruas. Portanto, Alexandre, deve passar os dias de folga dentro de casa, com exceção dos passeios realizados com a mãe, nos fins de semana, como ir ao shopping, parques eletrônicos e, claro, muito fast food.

A mãe de Eduardo Barbosa, 6 anos, conta que está desempregada, portanto, tempo para estar com o filho não vai ser problema. No entanto, a maior dificuldade enfrentada por Viviane Barbosa é a sua situação econômica, uma vez que os gastos com entretenimento para o filho durante as férias excedem as suas condições. O garoto vai revezar entre a televisão, o vídeo-game e o computador. E a mãe, se desdobrar para mantê-lo ocupado e ainda se divertir.

Em tempos de brinquedos eletrônicos e crianças que superam a faixa etária devido às novidades tecnológicas, os pais estão, cada vez mais, encurralados quanto ao que pode ser diversão ou o que pode atrapalhar a formação dos seus filhos.

A internet é um exemplo disso. Nunca se ouviu falar tanto em pedofilia, ela chega mais facilmente pela rede mundial de computadores. Os pais redobram as atenções ao conteúdo que os filhos acessam na rede.Ele pode causar distúrbios emocionais nas crianças e comprometer a personalidade quando adultos.

Está comprovado que crianças que se mantêm por muito tempo em frente ao computador tornam-se introspectivas, sofrem alterações emocionais com maior facilidade e têm menos amigos que o normal, ou seja, perdem uma etapa significativa da infância.

A televisão, embora seja assistida por órgãos públicos que impõem limites à exibição da programação, deixou de ser um grande atrativo para a nossa atual infância. E, mesmo assim, a TV, não deixa de limitá-los ao que é exibido nos canais e até de formar opiniões contrárias aos que os pais desejam para os seus filhos.

A dica é, se possível, estar o maior tempo com os filhos, impor regras e controle às tecnologias que for do alcance das crianças.

Não criar um abismo entre pais e filhos também é importante e não acreditar que, filhos quietos, jogando seus players violentos e conversando por horas com amigos virtuais é sinal de tranqüilidade, enquanto você organiza as suas tarefas.

Aos pais que são impossibilitados pelo trabalho de estar por certo período com seus filhos, vale lembrar que a pessoa com quem eles ficarão deve ser de extrema confiança.

As colônias de férias organizadas por algumas escolas é uma boa opção, até porque não têm um custo muito alto. Além de o seu filho continuar em contato com os amigos do colégio e ainda trazer na bagagem o senso de ser responsável por suas atitudes, desenvolve espírito de aventura e permite o contato com a natureza.

Para que as férias não se tornem um problema basta tomar alguns cuidados e deixar o seu filho ser verdadeiramente uma criança.

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2008