Capoeira chega ao ICBC
Jovens praticam esporte e vencem obstáculos da deficiência visual

Arquivo professora Puma
Professora Puma e seus alunos: a capoeira ajuda na coordenação motora e na inclusão social dos deficientes visuais

Paulo Henrique Oliveira
5º período de Jornalismo

“Paranauê, paranauê, paraná…”. Criada pelos escravos como forma de resistência à opressão no Brasil colonial, a capoeira é praticada hoje por esportistas de várias idades e camadas sociais. Para as crianças com deficiência visual, ela é uma ferramenta ao estímulo das habilidades corporais. O compasso é bem definido e chega como um código para quem tem o sentido tátil mais desenvolvido, por isso a capoeira é um esporte muito procurado e praticado pelo alunos do Instituto dos Cegos do Brasil Central (ICBC), com sede em Uberaba. A ladainha da capoeira, sempre acompanhada do toque do berimbau, envolve e contagia. A marcação feita pelos atabaques e pandeiro faz o chão vibrar. A fusão de ondas sonoras atinge o corpo com cadência e define o ritmo.

Segundo Núbia Nogueira Cassiano, a Mestre Puma (na capoeira, quase todos ganham um apelido), formada em Educação Física pela Uniube e professora responsável pela prática da capoeira no ICBC para deficientes, a atividade traz, além dos benefícios fisiológicos, ganhos psicológicos e sociais. “A capoeira tem uma magia que só quem pratica sabe como é. Tem o poder de superar deficiências e ressaltar as qualidades do praticante”, afirma a capoeirista.

Desde abril de 2007 o projeto está em anda­mento no Instituto dos Ce­gos, onde um grupo de aproximadamente 10 alunos apresenta desenvolvimento constante dentro da modalidade. Felipe Tavares dos San­tos, o Calango, 18 anos, é um apaixonado pelo esporte. Recentemente participou de um Festival de Capoeira em Boracéia, no litoral paulista. “Foi uma oportunidade de jogar capoeira com os grandes mestres, uma emoção muito grande para a gente que é deficiente. A magia da capoeira é que faz a gente se superar e, dessa forma, a gente surpreende a sociedade e também se sente mais incluído nela”, conclui Felipe.

Mestre Puma, que acompanhou os alunos durante todo o festival, é testemunha de um fato marcante. “A apresentação dos meninos no Festival mostrou também toda a força da capoeira. Eu vi a emoção estampada no rosto dos grandes mestres durante a exibição dos meninos do Instituto”, revela. O trabalho de Mestre Puma com os deficientes visuais do ICBC é um trabalho voluntário, e ao que tudo indica, gratificante pela qualidade dos resultados e bem ao sabor de uma frase de João Guimarães Rosa que afirma, “Mestre nem sempre é aquele que ensina, mas aquele que às vezes aprende”.

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2008