To do or not to do?
A enorme polêmica em torno do seriado mais “escrachado”da TV americana

 

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Os garotos Kyle, Cartman e Kenny, protagonistas da série
Felipe de Negri
3º período de jornalismo

Quem nunca viu, ou pelo menos não conhece o famoso “desenho” South Park e, logicamente, por conseqüência, as controvérsias que o programa causa? Não é novidade em nossa grade televisiva programas de teor cultural rasteiro ou mesmo prejudicial a certas mentes frágeis, entendam como quiserem! Porém, o desenho, criado por Matt Stone e Trey Parker, não vai ao ar apenas para preencher horários ou tapar buracos, ele também pode nos informar, através de sátiras “escrachadas”, sobre a hipocrisia que a sociedade americana, e por que não dizer, mundial, vive.

Mas ainda não chegamos ao ponto principal. A grande chave das controvérsias que rondam o programa é o fato de que as situações contidas nos episódios não têm apenas o intuito de desmascarar os hipócritas, mas fazem justamente o oposto, com requintes de crueldade, do que é pregado por estes. E sem dó. Um bom exemplo pode ser o fato de que a personagem Kenny morre em todos os episódios (ok, não em todos, mas na maioria massacrante), combinado com o fato de ser pobre. Quem sabe isso não é uma metáfora? “Por mais pobres que morram, nunca deixarão de existir.” Inclusive, há casos de pessoas que trabalhavam na produção do desenho que pediram demissão por não concordarem com certas provocações.

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Existem sites onde os fãs podem montar seus proprios personagens baseados nos padrões de desenho do programa

Agora, a grande questão: assistir ou não assistir (pode ser lido “apoiar ou não apoiar?”)? Números, para os dois lados, não faltam! Alguns dizem que sim, pois é engraçado, diz coisas que outros não ousam. Alguns, que temos que saber discernir o que é um programa de entretenimento e realidade, alguns outros, que não há nada de mau em um pouco de crueldade e sátiras. O outro lado diz não, pois é um lixo televisivo, não traz nada de construtivo, denigre a imagem de pessoas e empresas, ensina palavrões a crianças e por aí vai...

Um dos inimigos mortais da série (tambores!) é a Igreja. Em inúmeros episódios, a igreja aparece como corrupta, maliciosa, manipuladora, entidade que faz justamente o contrário do que prega. Imaginem um padre que mete medo em crianças para que elas sempre freqüentem a igreja e quando elas vão se confessar encontram o padre metendo outra coisa dentro do confessionário? Porém, convenhamos que a realidade não se distancia muito disso, verdade? E isso é um prato cheio pra qualquer fã da série.

Uma coisa é certa: nunca uma série de TV como essa agradará a gregos e troianos. Quem achar que a série não faz mal e nos faz pensar em uma sociedade hipócrita, tem toda a liberdade de sentar em frente à TV e se deliciar. Quem a achar um lixo televisivo, reclame, mande cartas, mude de canal. E citando nosso professor André: “A briga tem que ser boa!”.

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2008