Do que você tem medo?
O medo é mais que um mecanismo de defesa, ele pode se tornar uma doença

 

Maria Gabriela
Fernando da Silva Melo mesmo tendo todas as condições de ficaar rodeado de amigos, tem medo de ficar sozinho
Maria Gabriela Brito
Felipe De Negri
3º período de jornalismo

Existe uma emoção que pode salvar uma vida ou acabar com ela: o medo. Ele é gerado por impulsos que acontecem no cérebro e qualquer ser dotado desse órgão é capaz de sentí-lo. O cérebro trabalha para cuidar de todas as funções do corpo. Sendo assim, atua também em prol da segurança, em nossa defesa e favor, comandando as emoções e sentimentos.

O medo pode defender um ser em uma situação de perigo, por exemplo. Se um animal qualquer, dotado de cérebro, estiver em situação de risco, como próximo a um predador, esse órgão vai tomar providências para explicar ao resto do corpo do animal a situação na qual ele se encontra, fazendo com que rapidamente ele tome uma atitude e se afaste do predador, ou se defenda de alguma outra maneira. O que impulsiona essa atitude é o medo.

Além desse medo mecânico, existe um outro, sentido apenas pelo ser humano. É um medo infundado, uma emoção não saudável, conhecida como fobia e o medo condicionado, que acaba se tornando uma doença. Segundo a psicologia freudiana, um objeto que não traz ameaça, por exemplo, pode causar medo.

Maria Inês Loes, 65, é uma senhora que, além dos medos normais que todo mundo sente, tem também duas fobias: o medo da água do mar que, segundo ela, deve-se ao respeito que ela possui pelo mesmo, e um outro, um tanto quanto curioso e difícil de explicar, o medo do espaço. “Na verdade, o meu medo não é de altura, porque ando de avião como se estivesse em casa. O medo se concentra em lugares altos e aber­tos, é o medo do espaço, um medo que eu tenho do es­paço me atrair e me sugar”, ex­plica ela.

Maria Inês ainda conta que não sabe exatamente quando esse medo começou. “Acho que foi desde sempre”, diz ela, explicando que nunca fez terapia para curar a fobia, justamente por evitar lugares que ela sabe que a deixarão em pânico, como chegar em sacadas ou em janelas de andares altos.

Inês também relata um outro caso de fobia: “Conheço medos muito piores que esses meus. Já vi na televisão uma mulher que tinha medo de botões”. Da mesma forma que ela, diversas pessoas pelo mundo sentem medo das coisas mais bizarras. Entretanto, existem medos que são compartilhados por toda a humanidade, como o medo da loucura, da solidão, da velhice e da morte.

Enerson Cleiton, fotógrafo, conta que, dentre esses medos, o que mais o apavora é a loucura, e explica: “A loucura é algo sem solução. Ficando louco você é banido da sociedade e provavelmente jogado em um manicômio. É um fim triste”.

Fernando da Silva Melo, aluno do 7º período de publicidade e pro­paganda, afirma que, de todos os medos da hu­ma­­nidade, o pior é ficar sozi­nho. “Existem coi­sas ine­vi­táveis, como a mor­­te e a ve­lhice. Vo­cê só não vai ficar velho se morrer antes. Da loucura não tenho medo, dela já tenho um pouco. Então, o que mais me assusta é a solidão.”

Alci Cabral, psicóloga transpessoal, afirma, se­gundo sua linha teórica de estudo, que o medo pode ser causado por algum acontecimento na vida intra-uterina. “A psico­logia transpessoal estuda os medos mais a fundo, podendo ir até antes da fecundação. Algum trauma acontecido nesse período pode levar a fobias futuras”.

No processo de criação do medo existem dois “caminhos” o baixo e o alto. O baixo é do tipo “atire antes, pergunte depois”. Por exemplo, você ouve um barulho estranho em casa e já pensa logo em um ladrão, em vez de pensar em algum animal que passeia ou o vento que deslocou algum objeto. O alto é mais longo, porém, ponderado. Se você ouve o mesmo barulho, antes de associá-lo ao ladrão, espalha um leque de possibilidades para o barulho. Pode ser um animal, o vento ou o próprio ladrão.

O processo de formação do medo tem início com um estímulo de estresse e acaba liberando compostos químicos que fazem com que o coração e a respiração acelerem e energizem os músculos. As partes do cérebro envolvidas nessa reação são córtex sensorial, tálamo, hipotálamo, amígdala e o hipocampo. Essa emoção causa também reações físicas visíveis como tremor, descarga de adrenalina, aceleração cardíaca, atenção exagerada, depressão e pânico.

O ser humano tem uma maneira de sentir o medo diferente de animais irracionais. Em uma situação de perigo, ele leva em consideração primeiramente sua própria vida e segurança, claro, além de sentir todas aquelas reações citadas acima. Mas, depois, ele teme não só por ele, mas também pelos outros e pelo que vão sentir com sua perda. Isso pode ir muito além de uma emoção como mecanismo de defesa.

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2008