Aposentada sofre de depressão
Uma das conseqüências da
doença é a solidão, na qual dona Anésia
se confinou
Mariany Aquino Silvério
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| A aposentada, Dona Anésia conta como é a vida de uma pessoa que tem como companhia a solidão |
Mariany Aquino Silvério
3º período de jornalismo
Dona Anésia Terezinha Batista
tem 60 anos de idade e sofre de depressão profunda. Numa casa
espaçosa, de classe média, no bairro Abadia, ela passa
os dias e noites sozinha, vendo por entre a fumaça de seu
cigarro a vida passar lentamente.Separada, ela é mãe de
duas filhas casadas, avó de cinco netos e uma bisneta. Mas nem
os pimpolhos conseguem animá-la, já que sua paciência
com crianças findou-se junto com o seu último
trabalho, quando era servente da escola Quintiliano Jardim.
Entregue aos remédios
(calmantes e depressivos) ela não vê ânimo para
sair do quarto nem mesmo para conversar com as filhas, que a visitam
rotineiramente. Entre lágrimas e uma profunda expressao de
tristeza, ela falou sobre a solidão.
Revelação: Solidão.
O que essa palavra representa na sua vida?
D. Anésia: Solidão...
solidão...é o jeito que eu vivo. Acordar sozinha, comer
sozinha, conversar sozinha, dormir sozinha, viver sozinha. É a
minha vida.
Revelação: Desde
quando a senhora vive sozinha?
D. Anésia: Há quase
vinte anos. Desde que a minha filha caçula se casou e saiu de
casa.
Revelação: A senhora
não quis se casar de novo?
D. Anésia: De jeito nenhum!
Quando minha filha mais nova tinha um aninho de idade, o pai dela me
traiu com a minha própria irmã, e ainda tiveram uma
filha. Criei as minhas duas filhas sozinha e nunca mais consegui
acreditar em nenhum homem.
Revelação: A senhora
não tem vontade de sair pra se distrair?
D. Anésia: Sair? Pra quê?
Prefiro ficar quietinha em casa dormindo.
Revelação: Como é
a sua vida, Dona Anésia?
D. Anéisa: Sou aposentada,
vivo com um salário por mês, e a metade dele é
para pagar a farmácia, que além dos cinco calmantes que
eu tomo por dia, tenho que tomar os remédios para a depressão.
Revelação: Mas como é
a sua rotina?
D. Anésia: Eu acordo todos os
dias às 6h da manhã, fumo o meu cigarro e tomo café.
Depois, tomo um calmante para conseguir dormir de novo. Geralmente,
quando é 10h eu já estou acordada novamente. Vejo um
pouco de televisão. Como alguma coisa, e durmo a tarde toda.
Às 18h eu tenho que ver “minha novela das seis”. E fico na
varanda com a minha cachorrinha até por volta das 21h, tomo
meu remédio e vou dormir. Nos fins de semana, minhas filhas e
meus netos vêm me ver, mas sempre reclamam que eu estou sempre
dormindo.
Revelação: Você
acredita em Deus?
D. Anésia: Sim, sim.
Revelação: A senhora
tem vontade de mudar de vida?
D. Anésia: Não
adianta. Há dois anos atrás, nem a morte me quis.
Fiquei ruim no hospital mais de uma
semana, tendo que respirar através de aparelhos, por ter
tomado cinco cartelas de remédios, e nem assim morri.
Eu já me acostumei com essa
vida, Para mim, viver ou não viver, é a mesma coisa!
Revelação: A senhora
não tem medo da morte?
D. Anésia: Não,
ela não me assusta.
Uma hora, eu sei que ela vai chegar.
Revelação: Qual é
a sua maior vontade?
D. Anésia: Que os meus cinco
netos e minha bisnetinha sejam felizes. Que eles tenham uma vida
sossegada, coisa que eu não tive!
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