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A fobia sob a ótica
behaviorista
Marília Cândida Lopes
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A psicóloga Simone é especialista em Terapia Comportamental |
Marília Cândido Lopes
3º Período de
jornalismo
Quando o medo passa dos limites e
prejudica gravemente a vida das pessoas, ele pode ser considerado uma
fobia. Para a psicologia behaviorista, que estuda as interações
entre o ambiente e o indivíduo, é preciso enfrentar os
estímulos que desecadeiam essa reação e
trabalhá-los para superar o quadro.
A psicóloga Simone Santos,
especialista em terapia comportamental, é mestra em Psicologia
Aplicada e explica o que é fobia, suas principais
caracterícas, como são feitos o diagnóstico e o
tratamento.
Revelação: Dentro do
Behaviorismo, como vocês lidam com a fobia?
Simone: O behaviorismo é uma
teoria extensa. Especificamente, eu trabalho com a terapia
comportamental. Dentro dessa abordagem, o primeiro passo do terapeuta
é avaliar a fobia. Eu preciso avaliar de onde ela veio e quais
os sintomas relacionados. Ali tem sintomas fisiológicos? De
ansiedade? Quais são esses sintomas? Quais são os
estímulos que levam essa pessoa a ter a fobia? Desde quando?
Essa pessoa evita esses estímulos? Evita as situações
nas quais ela sente medo? É realmente uma fobia, ou é
um medo que não causa prejuízo à vida da pessoa?
Porque existem essas diferenças. Dentro dessa avaliação
inicial de um quadro fóbico, o psicólogo vai avaliar
esses fatores utilizando os instrumentos que ele tem. Ele pode usar o
DSM IV , um manual diagnóstico que nós temos que
apresenta alguns padrões e, através da entrevista, vou
verificar se o medo se encaixa naqueles padrões para que eu
possa chamá-lo de fobia.
Revelação: Qual seria
a definição de fobia?
Simone: A fobia é um medo
irracional e, vamos dizer assim, exagerado, que a pessoa tem frente a
uma determinada situação. Dentro desse aspecto, eu vou
ter dois tipos de fobia: a fobia específica e a fobia social.
A fobia específica é quando a pessoa tem medo de alguma
situação ou de algum objeto específico. Por
exemplo: a pessoa que tem fobia de cachorro, ou de elevador. E a
fobia social é aquela em que a pessoa teme situações
sociais nas quais acredita que possa ser avaliada pelo outro. Ela
pode ter essa fobia social dentro de uma interação com
superiores, por exemplo, com o professor, com o chefe. Geralmente, é
um medo que vem acompanhado de uma resposta fisiológica muito
intensa. A pessoa sente o coração palpitando muito
forte , a mão transpirando, e outros sintomas relacionados à
ansiedade. E tem outro fator importante dentro da fobia: é um
medo irracional, e o indivíduo sabe disso.
Revelação: Existe
algum tipo de fobia mais comum?
Simone: Isso depende muito de
fatores culturais e da história de vida da pessoa.
Revelação: Como o
fator cultural pode influenciar?
Simone: Por exemplo. Aqui, o medo de
cobra é muito comum, mas se você for à India,
provavelmente não vai ser. Porque é normal aqueles
encantadores de serpente, e até crianças manuseando
cobras. Já na nossa cultura a cobra é um animal muito
temido.
Revelação: Como surge
uma fobia?
Simone: Durante algum período
na vida daquela pessoa (pode ser que se consiga identificar esse
período ou não), aquele objeto, o qual ela teme,
foi associado a uma situação de perigo. Por exemplo:
uma criança que passou por uma situação em que
se sentiu vulnerável frente a um cachorro e, a partir dali,
desenvolveu o medo de cachorro. O que pode vir a ser uma fobia
depois. Mas a fobia só é considerada uma patologia
quando provoca algum prejuízo na vida da pessoa.Quando ela se
sente prejudicada em suas relações sociais, quando a
pessoa que tem fobia de cachorro passa a não sair mais de casa
com medo de encontrá-lo.Ela começa a se restringir
porque passa a evitar muitos ambientes onde poderia encontrar o
objeto fóbico.
Revelação: Muitas
pessoas não entendem a gravidade da fobia e a julgam como
sendo “frescura”.
Simone: Porque o indivíduo não
consegue se controlar. Ele vê o objeto e automaticamente já
vem aquela ansiedade incontrolável. O coração
palpitando, a mão transpirando, essa sensação é
amedrontadora pro indivíduo. Então, talvez ele se sinta
mais desconfortável com a resposta gerada pelo objeto fóbico
do que pelo próprio objeto. E é com essa emoção
forte que ele não tem habilidade para lidar.
Revelação: Quais são
os tratamentos mais comuns?
Simone: Uma fobia nunca vem sozinha.
Muitas vezes, a pessoa tem uma fobia e outro transtorno associado. É
preciso avaliar tudo isso, identificar os sintomas, a freqüência
e onde ocorrem. E aí vão ser tratamentos diferenciados.
É preciso tratar o que está de base também. Essa
base pode ser uma autoconfiança muito baixa, um indivíduo
que não acredita nele mesmo, que tem medo da barata, mas teme
o mundo também. Eu posso tratar o medo da barata, mas se eu
não tratar o medo que ele tem do mundo, da vida, eu não
resolvo o problema.
Revelação: Como que
uma pessoa pode parar de ter medo?
Simone: Com relação ao
objeto fóbico, mais especificamente dentro da terapia
comportamental cognitiva, não existe outra maneira de o
indivíduo parar de ter medo que, senão, enfrentá-lo.
E enfrentar o medo significa se aproximar do objeto temido. O que é
feito gradativamente. Se o indivíduo tem medo de elevador, eu
não vou conseguir tratar o medo se eu não conseguir com
que ele, se aproxime do elevador. Isso pode ser feito via imaginação
porque o indivíduo tem dificuldades até para se
imaginar nessa situação. O psicólogo, intevém
nessa imaginação. A gente se baseia nisso porque a
resposta de ansiedade, fisiologicamente, tem um certo padrão,
é como se ela seguisse uma curva em que as respostas de
ansiedade vão aumentando e chegam num ponto máximo. O
próprio organismo ativa o sistema parassimpático para
que aquela ansiedade diminua gradativamente. Só que um
indivíduo fóbico, antes que o próprio organismo
desencadeie essa resposta automática, já correu há
muito tempo. Então, não dá tempo do próprio
organismo se acostumar com aquela situação, porque ele
foge dela. Assim, o terapeuta, além de dar habilidades pro
indivíduo via relaxamento, ele prepara o organismo para que
este consiga restaurar a resposta fisiológica.
Revelação: Quais são
os outros profissionais que tratam a fobia. É preciso ajuda
psiquiatra?
Simone: Depende do grau da fobia.
Como eu estou lidando com respostas do organismo, parto do
pressuposto de que esse organismo está desequilibrado com
relação à liberação de
neurotransmissores. Então, é preciso entrar com
medicações. Aí, é o psiquiatra que vai
elaborar a medicações adequada.
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