|
|
O Medo e a Fé
Cristiano Senhorini
3º Período de jornalismo
O homem, com o passar dos tempos,
manifestou seu medo das mais diferentes formas. Seja através
da segregação, por medo da diferença, seja
através da paranóia, por medo do inimigo invisível
que antes eram os vermelhos e hoje são os terroristas, entre
outras formas de manifestação. Porém, dentre
todas essas, uma chama atenção pela sua longevidade e
assimilação. Esta manifestação se chama
religião. Afinal, as religiões saneam os principais e
mais antigos medos do homem. O medo da morte e o medo do
incontrolável.
Com relação ao
primeiro temor é fato que independente da origem, época
ou região, não há religião que não
apregoe a existência de uma segunda vida após nossa
existência terrena. Dessa forma, por que deveríamos
temer a morte se outra vida se apresenta para nós? Na História
existem vários momentos em que podemos verificar a crença
dessa segunda vida como um pilar social. No tempo das sociedades
escravocratas e, posteriormente, na Era Feudal, a classe trabalhadora
sempre se dedicou com afinco à prática religiosa como
forma de garantir uma outra vida livre de sofrimentos e, assim,
suportar os sofrimentos a que se submetiam nesta vida.
O segundo temor, o incontrolável,
encontra manifestações tão ou mais antigas do
que o da morte. A natureza até hoje surpreende o homem com
seus arroubos de fúria como tornados e terremotos. E como uma
espécie poderosa e obcecada por controle como a humana poderia
assumir tal insignificância diante do mundo sem responsabilizar
alguém? Desde as primeiras civilizações existem
deuses responsáveis pelas chuvas, pela colheita, pelos vulcões
e pelo mais que o homem não controle. Se acaso se perde uma
plantação foi porque não honramos o deus certo a
contento. Mesmo questões biológicas como a natalidade
eram atribuídas a uma divindade. E o que é a morte
senão a impossibilidade de controlar a vida? Embora hoje os
avanços tecnológicos nos permitam distanciarmos um
pouco dessa concepção, ainda é comum atribuirmos
qualquer catástrofe ocorrida aos desígnios de Deus.
Deus este que veio para simplificar as coisas, já que podemos
transferir a Ele a responsabilidade que antes era de muitos.
Sendo assim, ainda que seja
inconteste a importância das religiões para a
humanidade, não podemos deixar de vê-las, também,
com uma representação de seus mais profundos e antigos
medos. |