Noé Maia
3º período de Jornalismo
Luiz Gonzaga de Oliveira ,um dos jornalistas mais experientes e conceituados do estado de Minas Gerais, trabalhou em serviço de alto-falante, rádio, jornal impresso, televisão e hoje é presidente da Fundação Cultural de Uberaba – uma autarquia da Administração Municipal.
Dono de um currículo de fazer inveja, Luiz Gonzaga afirma, com orgulho, ser jornalista por convicção e que o desejo de ser comunicólogo veio desde criança. “Quando empunhava uma latinha de massa de tomate amarrado a uma linha, no ‘faz de conta’ de microfone com fios, já sabia o que queria e seria quando crescesse.”
Iniciou sua carreira profissional num serviço de alto-falante, no centro da cidade. Após passar em teste, trabalhou na Rádio Sociedade, antiga PRE-5, ficando lá por pouco tempo. Em 1953, juntamente com César Vanucci, Jorge Farah Zaidan, Marçal Costa e outros, inaugura a segunda emissora de Uberaba - Rádio Difusora, começando lá como repórter esportivo, chegando a gerente.
Sobre as dificuldades para produzir reportagens quando iniciou a profissão, Luiz Gonzaga diz: “A mais empírica possível. Gravador para reportagem pesava de oito a dez quilos e era necessário duas pessoas para carregá-lo. ‘Valvulado’, nem sempre se conseguia energia para fazê-lo funcionar... Uma luta! O advento do gravador de menor porte, mais cômodo para se carregar e manusear, só apareceu no final dos anos sessenta”.
Antes do surgimento do gravador, o jornalista lembra que “o rádio trabalhava de uma forma provinciana”, e se o assunto fosse muito importante, o entrevistado era levado à emissora. Ele afirma que os conteúdos das entrevistas raramente sofriam alterações e que a figura do repórter era pouco exigida porque eram os jornalistas que colhiam as informações junto aos entrevistados e redigiam a matéria.
Quanto ao relacionamento da imprensa com a sociedade, até a década de 1960, Luiz Gonzaga faz a seguinte observação: “Era visto com reservas. Jornalistas, nem tanto. A desconfiança maior era com os radialistas. Normalmente, não pertencendo à fechada sociedade local, eles eram recrutados no meio popular. Não se exigia descendência familiar, condição financeira ou credo. O requisito maior era ter boa voz, independente da aparência. Por outro lado, a remuneração não atraía os jovens.O radialista era visto como um boêmio, devotado ao álcool e às mulheres de vida fácil”.
Alguns setores da sociedade consideram que a imprensa seja o “Quarto poder” e para a jornalista “A imprensa sempre foi o grande sustentáculo do estado democrático de direito. Sem uma imprensa livre, a opinião pública fica sem a sua grande fonte de informação. Não se pode misturar ou conceber liberdade de imprensa’ com ‘licenciosidade de imprensa’. Quando isso acontece, os resultados, geralmente, não são favoráveis a nenhuma das partes envolvidas. Quanto ao ‘quarto poder’ a expressão é muito tênue. Pessoalmente, não gosto”.
Comparando as dificuldades para a profissão nos períodos do coronelismo, da ditadura e de hoje, ele afirma: “Na ditadura militar, as liberdades foram suprimidas e o arrocho da informação, mormente com a edição do AI 5, foram inquietantes. O homem só se sente realizado quando não lhe é cerceado o direito de ir e vir e emitir a sua opinião sobre qualquer assunto a qualquer tempo. A perda da liberdade tolhe a dignidade do ser humano”.
Para nosso entrevistado, os momentos de maior impacto e satisfação profissional foram: “No rádio, aconteceu nos dias 14 e 16 de novembro de 1963, quando transmiti do Maracanã, a decisão do mundial interclubes entre Santos e Milan. Duas grandes vitórias do time de Pelé. A rádio Difusora foi a única emissora do interior mineiro a cobrir os jogos”.
Na TV, três fortes emoções: “Em 1978, durante o Campeonato Brasileiro quando realizei a primeira transmissão, via Embratel, de Manaus, para Minas Gerais, no jogo Nacional x Uberaba Sport Clube. A segunda, também aconteceu no norte do país. Transmiti, para toda Minas Gerais, Maranhão AC x Uberaba SC. Foi a primeira transmissão do Maranhão para o resto do país. A minha terceira foi em Natal, no Rio Grande do Norte. TV Itacolomy e a TV Uberaba locaram equipamentos da TV Globo do Recife, que se deslocou à capital potiguar, onde transmiti também, ao vivo, os jogos América RN x Uberaba e ABC x Atlético Mineiro. Foram transmissões marcantes no telejornalismo do Estado. Na mídia impressa, minha grande emoção aconteceu quando lancei o jornal diário ‘Cidade Livre’, de minha propriedade e que fez enorme sucesso editorial enquanto teve vida”. Mas, ressalta que o momento realmente marcante foi a Copa do Mundo de 1978, na Argentina. “Foi o meu orgasmo profissional”.
Para aqueles que estão iniciando nesta profissão, o comunicador faz um alerta: “Conselho não deve ser boa coisa – senão ninguém dava, vendia.Aos iniciantes na vida jornalística apenas um lembrete: Nunca ‘venda’ opinião.Deixa pro dono do jornal vender o espaço publicitário...”.
E neste momento em que a Imprensa no Brasil está completando 200 anos e a Associação Brasileira de Imprensa – ABI, 100 anos, o jornalista Luiz Gonzaga deixa aos futuros colegas de profissão a seguinte mensagem: “O Brasil, nesses duzentos anos de imprensa e cem da ABI – a nossa mãe -, sempre foi vanguardeiro e inovador. Nossos jornais êm um alto índice de credibilidade em todo o mundo. Nossa televisão, uma das melhores do planeta, e o rádio, atualíssimo. Nunca pense que vai ficar rico trabalhando na comunicação. Contudo, trabalhe, trabalhe, trabalhe e trabalhe. A vida do jornalista tem 5% de inspiração e 95% de transpiração”.