Coisas que o Brasil não descobriu

Joyce Nayara Rodrigues

3º período de Jornalismo

Desfazem-se nas vogais do Brasil as analogias da gafieira e as inutilidades parlamentares. Eis que é chegada a hora das repetições e das sete mortes televisivas.E quando cismam de pegar a laço um fato, tratam de transformá-lo logo na notícia mais divulgada, no acontecimento mais comentado, e nos obrigam a digerir nos canais apáticos todo aquele sensacionalismo glamourosamente barato.

Soube que o jornalismo brasileiro anda às tantas com as revoluções e as conjunturas políticas. Mas permitam-me a mudança brusca de assunto. Lembrei-me de uma politicagem importante, já que abril foi-se há pouco e ainda deixou o calendário quente. No mês das descobertas, nossos patrícios mal sabiam o que os esperava quando desembarcaram na costa baiana. Todas as delícias da Terra. A pele colorida e pronta. Suada e nua, salgada e viva. A belezura do brasileiro dilatou as pupilas gringas e a madeira resistente dessas bandas foi um convite às instalações luxuosas.

Admiração, fascínio, escambo e escravidão nas páginas da história do descobrimento. O que mais intriga nessa relação de achados e perdidos é a veracidade do contador de histórias.

Questionamentos à parte, há muitas coisas que qualquer “brazuca” possivelmente despercebido ou desinformado ainda não viu. O sorriso de Elisa enquanto ela limpa o salão de reuniões da Associação dos Fornecedores de Cana – e, diga-se de passagem, a cana que está no país desde a colonização. A cantoria dos idosos da “Feliz Idade” durante a despedida de amigos e o artesanato legítimo do Garimpo das Artes. Os filmes censurados pela ditadura e as curiosas cenas consideradas inescrupulosas que sequer chegam minimamente aos pés das enroscas novelísticas.

Ah, se o país soubesse de como a vida é tão fartamente mísera e apaixonante... Talvez prestasse mais atenção no impacto das atividades econômicas no meio ambiente.

Poucos conhecem o lar mais afetuoso de certa cidadezinha afamada Garimpo. Porém, certo dia quis eu dar-me a chance de ser feliz de verdade e, na mais incrível descoberta pessoal, percebi a comunhão de vinte e duas crianças que não pediram nada, a não ser minutinhos da minha atenção. Fragmentos do meu abraço e palavrinhas soltas da minha boca.

A verdade é que cada brasileiro ainda não reconheceu seu território e não compreendeu que há muito mais que uma sétima arte. E o chorinho conhecido ainda está na tristeza. Quem sabe sonhar ainda desconhece o samba e, na roda da vida, quem gira é moleque. Frevo ainda é bagunça dentro de casa e toda a ignorância da massa é raiz que germina no povo o futuro do nada. Sem arte, sem letra, sem melodia, num tom de esquecimento.

Se eu não pesquisasse e não te contasse, mal saberíamos que em abril tem tanto a se comemorar. É dia do Jovem, tem dia internacional do livro infantil, tem homenagem para a Força Aérea Brasileira, dia dos Correios, do combate ao câncer e dia mundial da saúde.

Mas tem algo mais. Confuso, mas lindo. Certas coisas que o Brasil ainda não parou para ver. Eu gosto de guardá-las comigo, que nem papel de bala quando é de alguém especial. E para o jornalismo deixo toda a tarefa difícil: informar sem corromper, democratizar e reconstruir o social de uma nação que se afunda na cratera da indiferença...
Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2008