|
|
Gordos porque querem
Por falta de tempo ou
por preguiça, consumidores abusam de fast food e provocam,
em si mesmos, graves problemas de saúde
Fernanda Rezende
3º período
de Jornalismo
Há alguns anos,
por necessidade, falta de tempo ou por opção, uma
grande parte da população acabou aderindo aos lanches
rápidos, mais conhecidos como fast-food (comida rápida)
ou junk food (comida-lixo). No entanto, o cardápio oferecido
por essas redes de lanchonetes não mais “permite” as
combinações saudáveis da culinária
caseira. Assim , muitas refeições que eram primordiais,
como por exemplo, o almoço e o jantar, hoje são
trocados por sanduíches, salgados ou por aquela porção
de batata frita – alimentos repletos de gorduras, açúcar,
sódio e sal.
A comerciante Marilene
da Silva, 46, é totalmente adepta ao novo cardápio:
frequentemente acaba trocando o almoço por um lanche rápido.
“Sei que não é certo. Como fora de hora e minha
alimentação é irregular, mas não tenho
tempo para fazer uma alimentação correta.”
De acordo com uma
pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Coração,
Pulmão e Sangue dos Estados Unidos (NHLBI), verificou-se que
as pessoas que se alimentavam mais de duas vezes por semana em redes
de fast-food tiveram um aumento de peso de, em média, 4,5
quilos a mais do que os que costumavam ir menos de uma vez por
semana. A pesquisa identificou ainda que os homens freqüentam
mais restaurantes de fast-food do que as mulheres.
Por exemplo, o
encarregado de caldeiraria, Fernando Elias Ribeiro, de 44 anos, mesmo
sabendo como ter uma alimentação saudável,
mantêm há anos um cardápio rico em carboidratos e
gorduras. Fernando alega que faz apenas três refeições
diárias e, todas as noites, o jantar é feito de
fast-food. Já chegou até a substituir o almoço
por uma coxinha com catupiry, salgado que mais gosta.
“Considero minha
alimentação falha, como muita coisa que não
deveria comer. Tenho condições de ter hábitos
saudáveis, mas não tenho, por preguiça. Eu sei o
que estou comendo, mas às vezes a gente nem liga, opta sempre
pelo mais fácil.”
É preciso que as
pessoas tenham consciência de que, mais dia menos dia, a má
alimentação terá reflexos bastante claros na
saúde. Muitas doenças graves da meia idade poderiam ser
evitadas simplesmente através de uma alimentação
saudável no decorrer da vida. O autônomo José
Dornelas, de 50 anos, convive há três anos com problemas
de colesterol e triglicérides. Ele afirma que quase sempre
fazia uso de lanches rápidos até detectar o problema.
“Eu não me
controlava, comia sempre fora de hora e sem noção. Já
cheguei a consumir três salgados e uma Coca de 600ml em uma só
refeição. Era exagerado, não tinha controle e
hoje estou com os meus 115 kg e proibido pela nutricionista de fazer
uso de fast-food. Eu tive que escolher: os lanches ou minha saúde.
Optei por mim, é claro.”
Sanduíches
naturais
A nutricionista Daniela
Minaré Fonseca, especialista em Obesidade e Emagrecimento pela
Universidade Veiga de Almeida e especialista em Interdisciplinaridade
em Terapia Nutricional pela Universidade de Uberaba, e que atualmente
trabalha no serviço de Nutrição e Dietética
do Hospital Escola, afirma que o ideal é diminuir a freqüência
com que esses alimentos são consumidos. Se não for
possível, as pessoas devem dar preferência aos
sanduíches naturais, aqueles que possuem legumes como alface,
tomate. Os lanches assados também são uma boa opção.
Daniela ressalta que o
catchup e a maionese não devem ser utilizados, pois são
ricos em gorduras. E o refrigerante deve ser substituído por
água ou suco natural de frutas. “Se você não
pode fazer sua refeição em casa, procure restaurantes
self service, pois assim pode optar por alimentos mais saudáveis,
como saladas, legumes cozidos, carnes magras, etc. Não utilize
molhos industrializados e consuma frutas no lugar de doces na
sobremesa”, aconselha a nutricionista.
Daniela Minaré
defende que devemos dispensar uns minutos do nosso dia, para se ter
uma alimentação equilibrada, saborosa e prazerosa ao
mesmo tempo. Certamente essa atitude de hoje evitará problemas
futuros, como a obesidade e as doenças cardiovasculares.
Higiene nos lanches
rápidos
Marília Penna
Macial, zootecnista que atua na área de inspeção
de alimentos da Vigilância Sanitária de Uberaba, alerta
aos consumidores dos lanches rápidos que a higiene deve
ser sempre observada com muito cuidado. Segundo ela, o
consumidor tem de prestar atenção em como os
alimentos são manipulados, se os funcionário
do estabelecimento utilizam uniformes, prendem os cabelos, e se
o ambiente está limpo e propício para atender bem os
clientes. O ideal é que o estabelecimento faça uso de
sachês e copos descartáveis. Caso não siga os
padrões estabelecidos pela Vigilância Sanitária,
o consumidor pode fazer uma denúncia, comunicando as
irregularidades pelo telefone (34) 3325-4300. Marília alerta
que uma boa higiene na hora dos preparos dos alimentos evita
perturbações graves à saúde, como a
salmonela, diarréia, vômito e até uma intoxicação
alimentar. |