A diva das lendas de banheiro
Variações da lenda da Mulher do Algodão assombram e divertem pirralhos em milhares de banheiros de escolas do país.

Jaqueline Barbosa
Reprodução
Murta que geme, personagem da série Harry Potter, é uma das variações da lenda de fantasmas femininos em banheiros escolares
3 º período de Jornalismo

Entre no banheiro e apague a luz três vezes. Em seguida, gire três vezes. Acione a descarga outras três e fixe seus olhos no espelho. Bata palmas mais três vezes. Pronto, em alguns segundos, você estará cara a cara com a diva das lendas da nossa infância: a Mulher do Algodão (também conhecida como Maria Algodão ou Loira do Banheiro).

Se você nunca fez isso, pode ter certeza que alguém que você conhece já fez. A origem da história é muito confusa, com várias versões que podem variar de região para região, ou mesmo de escola para escola: alguns dizem que o caso surgiu de uma menina vaidosa de um colégio do interior que morreu ao escorregar e bater a cabeça no chão do banheiro; outros garantem que a Maria Algodão foi uma menina apaixonada pelo professor que se suicidou no banheiro; outros acreditam que ela foi uma estudante esquartejada por um psicopata que, num ritual macabro, jogou seus restos na privada... a imaginação vai longe...

Algumas crianças juram já ter visto a tal mulher. Outros moleques mais atrevidos até mesmo a descrevem: loira, horrorosa e com algodão nas narinas para estancar o sangue. A história é tema de reportagens em jornais desde, pelo menos, a década de setenta. O Diário de Pernambuco, por exemplo, publicou a seguinte notícia em agosto de 1978: “Fantasma de uma mulher loura provoca correria e desmaios entre estudantes”

O interessante que a lenda não é conhecida apenas aqui no Brasil. Nos EUA, quem assusta os pirralhos é a famosa “Bloody Mary” que se assemelha a “Maria Algodão”. Em um dos filmes da série Harry Potter aparece outra versão dessa personagem: trata-se da Murta que Geme, uma garota fantasma que vive no banheiro feminino da escola de Magia e Bruxaria de Hogearts.

Uma das mais populares versões que deram início à lenda no Brasil conta que, na década de 1960, durante um trote dos calouros em uma universidade, um grupo de estudante resolveu pregar uma peça em um dos calouros colocando uma colega loira fantasiada com aparência fantasmagórica no box do banheiro. Só que a brincadeira tomou outro rumo e o estudante morreu na mesma hora: ele tinha problemas cardíacos.

Verdade ou não, isso não importa. O fato é que a loira do banheiro caminhou de boca em boca e se tornou uma lenda muito famosa da vida estudantil. Hoje em dia, todo colégio que se preze tem que ter – e provavelmente terá por muitos anos – a sua própria Loira do Algodão, assombrando e divertindo os alunos endiabrados que a invocam nos sanitários.

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2008