A ciderela da favela

Pedro Moreira (reprodução)

Janaina Nascimento
Carlos Júnior
1º período de Publicidade e Propaganda

A Cinderela era o nome da menina mais firmeza da favela de Araraquara. A guria perdeu seu coroa com apenas oito anos de idade. Só que, de herança, o coroa dexô uma madrasta filha da mãe com F maiúsculo e duas meia-irmã que não ficava pra trás não. E coitada da Cinderela da Favela, era tão sonsa, tinha um coração mole e a cachola oca.

A pobre coitada era feita de escrava na casa que morava, trabalhava noite e dia e nunca se divertia quando a noite caia. Só as baranga da meia-irmã que podia ir nos churrasco na lage do Jorgim, depois iam pro baile do rebenta carcinha.

Certo dia, rolou um baile cabeção, que o Jorgim tava organizando lá na associação dos moradores. A mina tava toda assanhada, porque o Jorgim tava atrás de uma gata de responsa. Esse vuco-vuco chegou nos ouvido da Cinderela da Favela e ela ficou ouriçada pra ir no baile. As baranga das meia-irmã da Cinderela fôrum também tentá a sorte e a sonsa ficou pra trás, como sempre.

Quando o funk tava rolando nas arta, a Cinderela chegou botânu banca. Ela tava uma mulher muito linda purpurinada, vestia um top e uma minissaia que a sua madrinha gente boa tinha ageitado prela. Ia de a pé mesmo, mas quando viu o Cleber com seu carango gritou por uma carona na hora.

O som tava maneiro pacas!!! Foi nessa hora que o Jorgim, que não era bobo nem nada, chamou a Cinderela da Favela pra dar uma remechida nas cadera. Ela, mais que depressa, aceitô e fôro os dois pra pista pra quebrá tudo.

Só que quando ela menos esperava, viu que as enjoadas da suas parentes tavam indo embora. Mais que depressa deu umas beiçadas no Jorgim e se despediu, pois se as barangas chegasse primeiro era só quebra-pau.

Só que na correria que a potranca saiu, perdeu um tamanco de acrílico bordado de pedrinha de um tal verovisqui por cima. A pobre teve tanta sorte que correndo entre os becos da favela chegou antes das feiosas no barraco.

No outro dia, como toda fofoca corre sorta, o comentário era que o Jorgim tava na fissura atrás de uma garota que tinha perdido um tamanco que brilhava demais. Só que o tamanco tinha que servir direitinho no pé da tchutchuca que se dissesse dona dele.

Depois de muito percura o Jorgim foi na casa da Cinderela da Favela e ela tava lavando umas 429 peças de roupa. De repente ela viu o Jorgim chega, aí caiu da trouxa que ela segurava nas mãos um tamanco brilhoso.

Foi aí que ele pediu pra ela experimentá o tamaco que ele tinha trazido. Não deu outra, serviu no pé da danada mesmo. E não passou um mês pra que a Cinderela da Favela ficasse conhecida porque ficou grávida e virou a mina do Jorgim de Araraquara.

E esse final não é como esses conto de fada não. A ciderela levou um pé na bunda do safado do Jorgim. Mas não ficou sozinha não, gente. Foi morar com o Cleber da feira, que assumiu a cria dela e os dois foram felizes por muito tempo.

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2008