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Da privada para as manchetes internacionais
Marcelo
Lara
3º
período de Jornalismo
A
força da comunicação não depende do
veículo, mas sim, da criatividade. Quem não se lembra
do polêmico Romário, que mandou fazer duas caricaturas
na porta do banheiro do extinto Café Gol, no Rio de Janeiro,
de propriedade do próprio baixinho? Naquela época, ele
estava revoltado por ter sido cortado na copa de 1998. Assim, nos
desenhos do banheiro apareciam o Zico, com o papel higiênico na
mão, para limpar o serviço do Zagallo, que estava
sentado no vaso sanitário. Só para lembrar: eles foram
os principais responsáveis pelo corte de Romário. Esse
desabafo privado acabou saindo do banheiro do bar, ganhou a imprensa
internacional e terminou na justiça. Por fim, o jogador –
que ainda insiste em continuar a carreira – teve que pagar uma
indenização pela repercussão dos desenhos...
Recentemente,
a Discovery Channel realizou um marketing muito interessante para
anunciar um programa sobre as profissões mais sujas do mundo.
Eles fizeram uma divulgação em banheiros públicos
e utilizaram papel higiênico para a impressão de fotos e
textos. Tudo isso é para dizer que os banheiros públicos
se tornaram privilegiados centros de comunicação no
mundo conteporâneo.
No
entanto, é claro que o que mais se encontra nos banheiros é
a expressão de desejos e vulgaridades populares, pois as
portas desses ambientes se transformaram em uma espécie de
“MSN” no qual uma pessoa escreve e, tempos depois, outro usuário
reponde. E assim, a comunicação pelos banheiros ganha
dinamismo e eficiência na difusão da “arte” e da
cultura popular, como veremos nas reportagens centrais desta edição.
Se
pensarmos bem, ao falarmos de arte e cultura, temos que começar
pela agricultura, a arte de cultivar o campo. Um agricultor de
Uberaba, conhecido como João Foguete, certa vez colocou a
seguinte placa em sua propriedade: “A arte do trabalhador rural
mantém viva as outras artes.” Ele explica que a Monalisa não
existiria se Da Vinci não fosse alimentado, nem Romário
teria feito o milésimo gol se estivesse mal-nutrido. E já
que estamos falando de comunicação em portas de
sanitários, é interessante lembrar que, depois de uma
boa refeição, voltamos ao banheiro e a cultura e a
comunicação seguem o seu curso... |