RPG, uma ferramenta valiosa na educação
Jogo
incentiva a leitura e aflora a imaginação na hora de
escrever
Foto por Polianda Lopes
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| Jogadores de
Role Playing Game precisam aliar estudo e criatividade para
desenvolver boas histórias |
Pollyana Oliveira Lopes
3º período
de Jornalismo
O RPG (Role Playing
Game) que significa Jogo de Interpretação de Papéis,
surgiu nos Estados Unidos em 1974. Dave Arneson e Gary Gygax
inspirados no livro O Senhor dos Anéis, lançaram o
primeiro livro de regras atualmente o mais jogado: Dungeons &
Dragons, mais conhecido como D&D.
O RPG é um jogo
de estratégia e imaginação onde existe um mestre
e os jogadores. O mestre é o responsável pelo
desenrolar da narração: é ele quem cria a
aventura e todos os desafios e obstáculos que os jogadores têm
de enfrentar para alcançar seus objetivos. Os jogadores, por
sua vez, criam uma personagem, se juntam a grupos e viajam juntos
lutando por um mesmo objetivo.
Mas o RPG não é
apenas um jogo voltado para o lazer. Ultimamente ele tem sido adotado
como ferramenta pedagógica nos mais diversos centros de ensino
do Brasil. E o jogo ainda tem sido discutido nas universidades. O que
os educadores buscam no jogo é interação,
incentivando os alunos a participar, buscar conhecimento, ter prazer
na leitura e na produção de textos.
Um dos maiores
problemas na área educacional tem sido o baixo desempenho na
leitura e conseqüentemente na escrita. Este problema vem
preocupando os pais e os educadores. Os estudantes que chegam à
universidade são carentes de leitura e não elaboram
bons textos. Esta situação tem origem no ensino médio,
onde os alunos se vêem obrigados a ler livros que cairão
no vestibular, em vez de ter uma relação prazerosa com
a literatura. Este contato forçado com os livros faz do que
poderia ser um universo maravilhoso, um verdadeiro pesadelo.
O RPG como ferramenta
de ensino traz a interdisciplinaridade – ou seja, uma única
aventura pode abordar várias áreas do conhecimento.
Podemos citar como exemplo as matérias de História,
Geografia e Biologia. E onde elas entram no RPG? A resposta é
fácil. Vamos imaginar uma aventura onde no grupo de
personagens existe um caçador e um mago curandeiro. Os
conhecimentos de Botânica serão muito úteis para
o mago, e será essencial para o caçador entender de
Ecologia.
No caso da História,
há na narrativa a época em que ocorre a aventura: por
exemplo, época Medieval, Pré-histórica, entre
outros. A localização das personagens na história
e as atividades humanas do cotidiano histórico podem ser
inclusas em Geografia.
O estudante Jorge
Cândido Araújo, conta que sempre teve muita dificuldade
na escola. Não gostava muito de ler e estudava apenas para
agradar os pais. Há um ano, o adolescente entrou em contato
com o RPG e confessa que, hoje em dia, estudar se tornou mais
agradável, pois o jogo o incentivou a ler livros, ir em busca
de conhecimentos científicos e históricos. “Eu quero
estar sempre por dentro de tudo nos jogos; por isto, hoje estudo não
com intenção de passar de ano e obter boas notas, mas
sim, por diversão”.
Para o universitário
Roney Giovanni Mota, que narra RPG há 11 anos, o jogo é
uma ferramenta essencial nas salas de aula por ser uma forma
agradável de se introduzir certos conteúdos de “difícil
digestão”. Roney fala também sobre a campanha
negativa que o jogo recebe das pessoas. “Acredito que está
na hora da sociedade assumir uma postura nova diante de um hobby tão
benéfico”. O universitário frisa que um jogo de
faz de conta tem sido muito mais atacado negativamente e questionado
pelas autoridades que um massacre entre torcidas de futebol.
Roney deixa um conselho
aos pais “Acompanhem a vida de seus filhos, interessem por seus
jogos, suas histórias, porque os desvios de crianças e
jovens muitas vezes residem na total falta de atenção
que a criança precisa para se sentir amada”.
Em meio à esta
discussão sobre os benefícios do RPG, há os que
acham o jogo violento e ligado à rituais maléficos de
satanismo e bruxaria. Estas pessoas afirmam que o jogo transfere a
violência e o ocultismo para a vida real. E muitos religiosos
costumam ter uma aversão bastante forte contra este tipo de
atividade.
Para o evangélico
João Ribeiro, o RPG é coisa do demônio.
“Onde já se viu criar demônios e bruxos e encarnar
estes personagens?” Segundo João, isto é
completamente prejudicial ao psicológico de crianças e
jovens e a influência ocultista do game pode, como
conseqüência, trazer confusão espiritual e, em
casos extremos, colocar o jogador em contato com a atividade
demoníaca.
Mas para Roney, os
jogadores têm noção de que o jogo é uma
fantasia e que aquelas criaturas são, na verdade, mitos que
contribuem para a compreensão da cultura humana. Para ele, o
RPG só tem a oferecer coisas boas e de grande aproveitamento.
“O importante é que a liberdade de escolha e de opinião
sempre prevaleça". |