De aluno rebelde a estudante prodígio
Sérgio Moreira Junior cursa Medicina e Direito na Uniube ao mesmo tempo e se destaca nos dois cursos

Marilia Cândido

Sérgio já participou de 11 grupos de estudo, foi monitor de Anatomia e faz parte da comissão de formatura de Medicina
Marília Cândido
3º período de Jornalismo

Sérgio Moreira Júnior sempre foi um bom aluno. No ensino médio gostava de todas as matérias, só não tinha muita simpatia por biologia. Ele lia clássicos porque achava bonito dizer isso aos outros e se orgulha de ter sido o único aluno na turma da sexta série a ler toda a série O tempo e o vento, de Érico Veríssimo. Sérgio sempre exerceu muitas atividades: fazia inglês, informática, tocava saxofone e era presidente da União das Crianças Presbiterianas em sua cidade natal, Ituiutaba. E desde pequeno cultiva o hábito de ler a Bíblia todos os dias pela manhã.

No segundo e terceiro ano do ensino médio, o garoto prodígio passou por uma fase meio rebelde. “Eu achava que os professores não sabiam nada, que eles tinham que estudar de novo e que eu não precisava de saber o que eles queriam.” Foi aí que resolveu fazer um acordo com eles: Sérgio não iria mais às aulas, mas estudaria em casa e os professores não dariam falta pra ele. Alguns não aceitaram. “Tem uma professora que não me cumprimenta até hoje.” Mas a maioria colaborava. “Eu era meio custoso, sabe? Dormia dentro de sala…” Ele conta que, uma vez, cochilou dentro de um armário no colégio, de tão entediante que eram as aulas.

No último ano do ensino médio ele fez inscrições para alguns vestibulares de Engenharia, que era o que sempre tinha pensado em fazer. Até que, em setembro, sem mais nem menos, ele mudou de idéia: resolveu prestar para Medicina. Ficou esperando ser chamado até abril do outro ano, quando ficou sabendo do programa do governo, o Prouni. Assim, de última hora se inscreveu para o curso de Medicina na Universidade de Uberaba.

Sérgio acabou sendo aprovado e ganhou a ajuda de custo do governo para se manter. Mas o inquieto estudante queria mais. Assim, no segundo período do curso, influenciado por parentes, ele decidiu prestar vestibular para Direito. O pai e os tios já haviam feito este curso e o irmão ainda faz, em Ituiutaba. E não é que Sérgio passou em primeiro lugar e, por isso, ganhou da Uniube a bolsa de 80%? Mas o espantoso é que Sérgio não largou o curso de Medicina: ele decidiu fazer os dois ao mesmo tempo. Sua mãe ficou “um pouco brava”, não por ele querer fazer duas faculdades ao mesmo tempo, mas porque ele inventou de fazer Administração à distancia também… Mas não deu certo, e ela ficou mais calma.

Direito e Medicina
Cursando simultaneamente o primeiro período de Direito e terceiro de Medicina com boas notas em ambos os cursos, a situação de Sérgio apertou um pouco, mas não porque fosse difícil conciliar os dois cursos. “A carga horária de Medicina não é tão ampla quanto algumas pessoas pensam. Ela gira em torno de sete horas por dia. Então, acaba que é uma carga horária menor do que a de muitas pessoas que trabalham”. Para Sérgio, o que dificulta mesmo são as atividades extraclasses. Ele participava de onze grupos de estudo, era monitor de Anatomia e fazia aulas de francês. Esse semestre, está mais tranqüilo, pois a escola de francês não tinha um horário compatível com o dele. Mesmo assim, Sérgio ainda promove palestras em parcerias com professores pelo PAE, faz parte da comissão de formatura de Medicina, está tentando entrar em ligas médicas e elaborando um projeto de iniciação cientifica.

Sérgio não faz aquele estereótipo de cara inteligente, que vive isolado e não tem tempo para se divertir. Nos corredores da faculdade conversa com todo mundo. A única reclamação dos colegas é que ele não passa cola na hora das provas. Eles também se reúnem para estudar depois das onze da noite e aproveitam para fazer um churrasco, jogar cartas, videogame e sinuca. Aos domingos, sempre que pode, vai a Igreja Presbiteriana pela manhã e pela noite. Além disso, a cada quinze dias ele se encontra com uma estudante de Direito em Uberlândia, com a qual namora há quase dois anos. Os encontros são assim: ou ela vem para Uberaba ou ele vai para lá. No outro fim de semana eles se encontram em Ituiutaba, onde Sérgio dá aulas particulares para ajudar nas despesas.

Sérgio pensa em se espe­cializar em cirúrgicas, sendo que as áreas que mais lhe interessam são neurocirurgia e plástica. Ele ainda não tem certeza se vai praticar Direito – e nem mesmo se vai conseguir levar o curso até o final, pois nos quatro últimos períodos é preciso fazer um estágio, sendo que, em Medicina, também há um período intenso de plantões. Mas ele quer mesmo é estudar e, por isso, prefere não pensar nisso agora. Como ele mesmo diz, por enquanto está tudo indo muito bem, obrigado.

Curso de Comunicação Social/Universidade de Uberaba - 2008