Pais podem prejudicar a alimentacao dos filhos

Para compensar ausência, pais tentam agradar filhos com doces, salgados, batatas fritas e nenhuma nutrição


William Dias é um desses garotos que não gostam de comer verduras!

Erileine Rodrigues
Julyene Martins
2º ano de Jornalismo

Devido ao trabalho e a vida conturbada de atualmente, os pais não possuem tempo suficiente para ficar com os filhos, isso faz com que eles tentem compensar essa ausência com uma alimentação repleta de guloseimas. Passar no supermercado ou padaria e comprar o que o filho gosta de comer como doces, cheetos e batatas se tornam frequente na vida de muitas famílias.

Os pais com a vontade de compensar o tempo em que ficam distante não se lembram que esse tipo de comportamento causa danos e faz o filho ter uma alimentação precária, se esquecendo de priorizar a qualidade da dieta alimentar das crianças, que é importante na fase de desenvolvimento.

Em primeiro lugar, os pais devem se conscientizar de que os filhos não possuem a noção do que é certo ou errado, sendo assim a boa alimentação das crianças depende exclusivamente dos próprios pais que devem dar o exemplo, com uma alimentação correta.

"Mesmo que os pais não tenham tempo, é necessário que eles saibam que o importante é a qualidade, e devem dar aos filhos o melhor e não tentar compensar a ausência deles de forma errada com a alimentação", aconselha o nutricionista Luís Cláudio Benevenuto.

A preocupação dos pais deve estar ligada ao crescimento saudável e satisfatório do filho, afinal uma criança que desde cedo possui uma má alimentação, não vai de uma hora para outra mudar os seus hábitos e consequentemente não será um adulto saudável.

A alimentação da criança é classificada em boa ou ruim de acordo com os hábitos alimentares dela. O processo de nutrição inicia-se ainda na gestação quando a mãe precisa se alimentar bem para que o filho tenha um bom desenvolvimento e evolui a partir do nascimento com a amamentação e posterior introdução dos alimentos complementares de forma gradual e contínua.

No período de amamentação a criança não deve receber nenhum outro tipo de alimento, nem mesmo água ou chá como as mães gostam de dar. Após os seis meses deve se iniciar a alimentação complementar, em que a mãe começa a dar para o filho outros alimentos além do leite. O adequado é introduzir um alimento de cada vez para que possa se identificar com mais facilidade algum alimento que cause alergia ou outro problema no organismo da criança.

"Alguns alimentos deveriam ser evitados, como o leite de vaca, que é um dos mais problemáticos e um dos que primeiro se introduz precocemente, a gema de ovo poderia ser introduzida a partir do sexto mês, mas a clara deveria ser evitada até o final do primeiro ano de vida, assim como o trigo, o milho e o mel", aconselha o nutricionista Luís Cláudio Benevenuto.

A fase de amamentação e desmame muitas vezes não é seguida corretamente por vários motivos, entre eles a ansiedade por parte das mães, o retorno ao trabalho com o fim da licença maternidade e até mesmo por estética, em que algumas mulheres têm medo de deformar os seios. A amamentação é muito importante, e por isso toda criança deve ser amamentada até os seis meses ou pelo menos até os quatro meses de vida, no caso da mãe não ter condição de amamentar por mais tempo.

A partir de um ano de idade a criança pode seguir a dieta alimentar da família, sendo respeitadas as condições do organismo delas. "Mesmo com um ano de idade a criança não tem a capacidade de mastigar nem próxima a de um adulto, então os alimentos precisam ser bem cozidos, partidos em pedaços pequenos para que se possa facilitar não só o a deglutição mas também a digestão desses alimentos pela criança", explica o nutricionista Luís Cláudio Benevenuto.

Quando se fala em boa alimentação não se fala em quantidade e sim em qualidade, uma diversidade de alimentos que irão proporcionar uma ingestão de diferentes nutrientes. O aprendizado na fase da infância é o que vai predominar por toda a vida, assim a criança que tem bons hábitos alimentares será um adulto saudável, como é o caso da Priscylla de Sousa que tem dez anos e já pensa em sua alimentação: "Como verduras, legumes e não gosto de comidas gordurosas porque sei que não faz bem à saúde e meus pais se preocupam muito com isso". Priscylla tem 1,49 de altura, pesa 35 Kg e possui uma alimentação adequada para a idade dela, de acordo com o nutricionista Luís Cláudio.

William Aparecido Dias Ferreira tem 8 anos, 1,29 de altura e pesa 42 Kg, não gosta de comer verduras e legumes, e sua alimentação se reduz a massas e guloseimas. "Tenho que ficar controlando a alimentação dele, mas fica difícil porque trabalho o dia inteiro e não estou o tempo todo por perto, mas tenho ciência que preciso procurar um nutricionista e ver a situação alimentar do meu filho, sei que não está correta e vai prejudicá-lo", justifica Alessandra Dias, mãe do William.

"A criança não precisa ficar sem comer aquilo que gosta, como batata-frita, do ces, bolachas, entre outras guloseimas, porém, é necessário que esse tipo de alimentação seja balanceada e não substitua os alimentos necessários para uma boa nutrição como proteínas, ferro e vitaminas", alerta o nutricionista.

Obesidade na infância

É comum os pais desejarem que o filho seja um bebê gordinho, mas o normal é que essas crianças "gordinhas" ao começar engatinhar e a andar percam o excesso de peso devido ao aumento do gasto energético com as atividades físicas. O problema da obesidade começa quando a criança após um ano de idade não consegue deixar de ganhar peso excessivamente, então o excesso de peso na criança, ao invés de agradar, passa a incomodar os pais, familiares e à própria criança.

"O recém nascido aprende a se relacionar com o mundo através do que ele recebe no começo de sua alimentação, que é representada pelo leite. Se a mãe sacia, dá prazer ao bebê através do leite e junto a ele o alimento psíquico que vem no olhar, carinho e atenção, essa criança experimenta a satisfação. Quando a mãe ausenta, priva, a criança experimenta a frustração. Quando ela cresce e a fase do leite passa, ela já se encontra mais distante da mãe. Nesta fase talvez a criança use a alimentação como um controle do ambiente familiar, pois se ela deixa de comer, ela faz com que seus pais fiquem aflitos e se come muito, também", explica a psicóloga Leila Maria Venceslau.

A obesidade é um mal que provoca, ainda na infância, problemas de coluna, nas articulações, fere a auto-estima e leva à rejeição social. Ao atingir a fase adulta podem surgir diabetes e doenças do coração como: hipertensão arterial, colesterol e triglicerídeos elevados entre outros.

Para o tratamento da obesidade infantil, é necessária a presença de uma equipe multiprofissional, que consiste em médico, nutricionista, educador físico e o psicólogo, pois algumas causas da obesidade podem ser psicogenéticas, tais como: rejeição materna e falta de afeto, depressão e culpa, angústias circunstanciais, pais alcoólatras, criança imatura e problemas orgânicos, como neurológicos.