A vida é uma arte

Paula Augusto desde pequena encanta a todos com o seu talento





Micheli Bernadeli
6 período de jornalismo

Numa tarde ensolarada e com ventos frios anunciando o inverno de julho, entra-se no Ateliê Paula na pequena cidade de Capinópolis ( que fica cerca de 350 km de Uberaba). Já na porta sente-se um cheirinho de tinta pelo ar. Mais alguns passos, uma visão esplêndida: quadros e mais quadros. Cor e vida marcam o ambiente. Com um sorriso alegre, Paula Fonseca Augusto é a luz de sua arte.

Paula aos três anos teve meningite que deixou seqüelas: uma deficiência auditiva, mas não pense que isso a atrapalha. Aos 27 anos, ela tem seu próprio ateliê onde ensina a pintura em telas. "A professora da Escola Municipal Branca de Neve me contou que ainda lembra de uma boneca que Paula fez quando era criança", recorda a mãe Ronísia Helena Fonseca Augusto.

Segundo Ronísia, Paula fez a sua primeira aula de pintura aos nove anos. "Ela tinha muita habilidade para pintar, e todos os coleguinhas de sala pediam para ela fazer", conta. Todos os professores comentavam o bonito trabalho de Paula. "Uma vez entrei em seu quarto, ela estava deitada na cama com um lápis na mão desenhando na parede", revela Ronísia. Pelo jeito o destino da menina era mesmo a arte.

Com 11 anos, Paula fez curso de pintura em tecido especial chamado organdi, com a professora Zilma. Sua facilidade com o lápis de cor era impressionante. Em seu ateliê ainda existem desenhos de sua infância. Paula foi aprimorando sua arte com outros cursos. No ano de 1994 fez, em Ituiutaba, um curso com Déia Martins. "Ela fez um período lá, depois Déia abriu uma turma em Capinópolis. Pena que ficou pouco tempo", conta Ronísia.

O tempo foi passando e Paula foi melhorando a sua arte. Concluiu o segundo grau e foi para a cidade de São Paulo. A tia Maria Divina Fonseca, que mora em Mauá, interior de São Paulo, foi a capital na escola de Oficina de Artes e conversou sobre a possibilidade da sobrinha fazer o curso, pois era deficiente auditiva. Os diretores da escola aceitaram a nova aluna, pois tinham experiência para trabalhar com pessoascom necessidades especiais.

Agora era a hora da família decidir se Paula iria mudar para São Paulo ou não. Mesmo com o coração apertado, os pais decidiram deixar a filha seguir o seu destino. "Foi uma choradeira quando minha filha foi embora", relata Ronísia.

No segundo semestre de 1999, Paula arrumou as malas e mudou para São Paulo. No curso, que durou até o ano de 2001, Paula aprendeu tudo sobre o desenho. Primeiro houve uma "alfabetização gráfica", e os primeiros trabalhos foram com traços, depois com figuras geométricas, de perspectiva de ângulo e até aulas de anatomia.

A família mostra com orgulho a pasta com o material que Paula produziu. "Tem um desenho que é especial. A primeira vez que fui visitar minha filha, em outubro de 1999, ela estava fazendo um desenho. Até o seu próprio reflexo está retratado", emociona-se Ronísia. No curso tudo era explorado, até o raciocínio lógico. Até o tempo era estipulado para a finalização do desenho. Depois de trabalhar com grafite, foi a vez do colorido. O lápis de cor é especial, aquarelável. Outras formas geométricas como desenhos cubicados Paula aprendeu. Em seu material, nota-se seu grau de crescimento. Aí veio tipos raciais, crânio, olhos, pé e mão e posições. Os desenhos eram feitos a partir de fotos, páginas de revistas e objetos vivos.

Foram dois anos e meio de muito estudo e aprendizado. As aulas eram duas vezes por semana e eram turmas de muitos alunos. Paula deixou os professores encantados com sua arte. "Os professores diziam: ela é fora de série, um encanto", alegra-se a mãe. Quando terminou este curso, Paula fez outros.

A jovem voltou para Capinópolis e em abril de 2002 resolveu abrir um ateliê. Ela faz mistura de muitas técnicas, utilizando-se desde materiais recicláveis, folhas de ouro e prata, pedras e pontas de lápis. É incrível de se imaginar, mas Paula nunca fez curso de pintura em tela. A jovem associou todos os seus conhecimentos e aplicou nos quadros.

Em seu ateliê, ensina de crianças à idosos. "Graças à Deus ela consegue explicar", conta Ronísia. A aluna escolhe, Paula desenha e a aluna dá a cor. Na verdade, todo o mérito é dela.

Paula foi a primeira pessoa na cidade a realizar uma Vernissage. Em abril de 2003 conseguiu fazer a primeira, com muito sucesso. Atualmente, Paula vem realizando pintura em telhas do século passado. Havia uma casa antiga de avós e ela aproveitou as telhas que eram feitas pelos escravos nas coxas. Cada peça linda a jovem já produziu.

Pelo jeito Paula Augusto Fonseca não vai parar por aí. Muita coisa linda vai sair de suas mãos, que é abençoada por Deus. Isso é uma alegria para a família e para Capinópolis. A cidade tem orgulho de ter artistas de verdade, e Paula é uma.