Livro discute papel do jornalismo na educação ambiental

Primeiro volume da coleção Formação & Informação discute o que a imprensa faz, deixa de fazer ou poderia estar fazendo para capturar a atenção das pessoas para o problema da sustentabilidade. Estudante de Jornalismo da Uniube participa escrevendo sobre a questão da água

 

Da redação

A Summus Editorial lança Formação & Informação Ambiental — Jornalismo para Iniciados e Leigos, organizado e idealizado pelo jornalista, pesquisador e professor universitário Sergio Vilas Boas. Com 208 páginas, o primeiro volume da coleção traz textos de especialistas e profissionais com visão crítica sobre meio ambiente: André Azevedo da Fonseca, Carlos Tautz, Eduardo Geraque, Odo Primavesi, Regina Scharf e Roberto Villar Belmonte. O objetivo deste livro — referência imediata para universitários interessados em se especializar no tema meio ambiente — é provocar uma reflexão sobre os graves problemas ambientais que atingem a sociedade contemporânea.

Sergio Vilas Boas, coordenador da coleção, contesta a idéia de que jornalismo é sinônimo de apenas noticiar. "Jornalismo são reportagens especiais (especiais mesmo), perfis, livros-reportagem, documentários audiovisuais, radiofônicos etc. A meu ver, o jornalista deveria ser também um ensaísta, e não um simples transmissor passivo de informações. Esta coleção propõe que os jornalistas assumam responsabilidade em relação ao assunto sobre o qual tratam; e ajudem a esclarecer, em vez de confundir."
Sergio optou primeiro pelo  tema ambiental porque acredita ser este o que mais exige "visão de conjunto". "O meio ambiente mantêm afinidades com a política, a economia, a ciência e a cultura", diz. "Quem cobre meio ambiente precisa compreender o todo, sem isolar as partes."

Em vez de enfatizar discursos fatalistas, Sergio orientou os seis autores (jornalistas e não-jornalistas) a identificar os problemas mas também a apresentar soluções e alternativas viáveis. Ambiental põe em xeque o catastrofismo e conduz o leitor-telespectador-ouvinte-internauta a se conscientizar sobre o seu papel de construtor ativo da realidade.

"A imprensa não pode ser neutra quando se tratam de vidas. É preciso, ao contrário, ser mais educativa, o que não significa apelar para didatismos banais do tipo ‘faça isto, faça aquilo’. O importante é mobilizar consciências para uma lógica aparentemente simples: jornalistas especializados ajudam a formar públicos com uma atitude diferente em relação ao meio ambiente e à sua própria vida."

Uberaba

O estudante de Jornalismo na Uniube, André Azevedo da Fonseca, é o autor do capítulo "Água de uma fonte só: a magnitude do problema a partir de uma experiência concreta". O organizador da coleção, o jornalista Sérgio Vilas Boas, decidiu convidá-lo porque, além da qualidade de seu texto, o estudante uberabense vivenciou por duas vezes os colapsos no abastecimento de água na cidade. Assim, Vilas Boas percebeu que esse envolvimento emocional seria um combustível propício para que o texto se tornasse vigoroso.

O resultado foi uma reflexão crítica e densa sobre o papel da imprensa nas coberturas sobre a questão da água. O capítulo é aberto justamente com a descrição do pânico da população de Uberaba quando houve o caso da contaminação por produtos químicos no córrego Congonhas, nas águas que abastecem a cidade, devido ao descarrilamento da locomotiva na Ferrovia Centro Atlântica. Entretanto, o artigo não se restringiu a este caso. O episódio foi apenas o ponto de partida para discutir as ambigüidades e complexidades amplas na cobertura jornalística ambiental.

O livro está exposto no estande da Summus na Bienal do Livro em São Paulo e já pode ser encomendado nas livrarias de Uberaba.

Formação & Informação Ambiental —
Jornalismo para Iniciados e Leigos.
Sérgio Vilas Boas (org.)
Artigos de: André Azevedo da Fonseca, Carlos Tautz, Eduardo Geraque, Odo Primavesi, Regina Scharf e Roberto Villar Belmonte.
Editora Summus, 2004. Preço: R$ 33,00


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