A Promessa

Márcia Regina Pires 

Naquela noite, estávamos todos eufóricos: sabíamos o que iria acontecer. Na verdade, ninguém tinha certeza — talvez faltasse coragem para realizar o prometido.

Caminhávamos todos juntos, em bando. Era gostoso andar assim: uns na frente, soltos; outros de lado, de braços nos ombros ou mãos dadas; conversas desconexas e muita gargalhada. Falávamos sobre tudo: escola, pais, mães, irmãos, trabalhos, sonhos... Só não falávamos sobre o nosso segredo, o meu doce segredo que todo mundo sabia.

No baile, tinha ficado claro o nosso acordo — o beijo que me pediu seria para a próxima vez que nos encontrássemos. "O próximo encontro" — essa expressão ganhou sabor de cenas do próximo capítulo e virou manchete da turma, no dia posterior. Todos comentavam, faziam piadinhas, vinham me dar conselhos de como deveria ser.

Eles se deliciavam com a vergonha que estávamos passando, principalmente a minha, pois eu nunca havia beijado antes. Eu sentia um certo constrangimento misturado com felicidade. Me sentia ridícula, alegremente ridícula, e a minha história ora ganhava ares de romantismo, ora ganhava ares de palhaçada, no final, todo mundo se divertia, até eu.

Minhas primas e primos não poderiam perder o episódio, todos queriam estar por perto, para assistir ao vivo e à cores. Mas, para terem direito ao espetáculo, trataram logo de providenciar o encontro.

O barzinho ficava no centro da cidade, fomos todos juntos. Chegando lá, sentamos, ele sempre do meu lado. O que fazer? Onde colocar minhas mãos? Para onde olhar? Eram perguntas que apareciam na minha cabeça e se desfaziam, sem respostas. Encabulada, permaneci imóvel. Depois do guaraná, das batatas fritas e de muito bate-papo, fomos embora.

Na volta, o de sempre, a turma toda junta conversando, caminhando contra o vento. Minhas pernas mal podiam andar, um calor subia por elas e transitava no meu corpo adolescente, mãos geladas, sorriso amarelo — eu não sabia como disfarçar a expectativa — e seus olhos? seus olhos sempre me olhando — o que fazer?

De repente, a turma toda começou a andar na frente, ficamos para trás, à sós. Meu coração de menina-mulher oscilava entre o pavor e o fascínio. Olhos nos olhos — ele se aproximou, me abraçou, e, lentamente, pude sentir seus lábios. Dormência, ardor, inexplicável sensação — premissas de um amor que acabara de surgir.

Márcia Regina Pires é tutora do curso Normal Superior Veredas, da agência formadora Uniube.


 


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