Um trabalhador contra o alcoolismo
De gole e gole, Sebastião se viu dependente. Hereditariedade explica muitos casos da doença

Carina Aureliana Araújo
6º período de Jornalismo

Você já reparou que nas festas tem sempre alguém que bebe uma garrafa de vinho e fica só um pouco "alegre", enquanto outra bebe uma cerveja e dá vexame?

O álcool é considerado pelos especialistas uma droga psicotrópica (substância usada como calmante ou estimulante) e pode provocar graves perturbações psíquicas, pois atua sobretudo no sistema nervoso central. Sendo assim, além de modificar o comportamento, o uso constante potencializa tendências para desenvolver dependência.

Pesquisadores já constataram traços de hereditariedade em mutos casos de alcoolismo. Quando o pai e a mãe sofrem da doença, a porcentagem do filho ser dependente é grande — mesmo quando o filho é criado por outra família. Esse pode ter sido o caso de Sebastião Oliveira, um ex-alcoólatra de 48 anos.

Ainda garoto, Sebastião percebeu que sua família sofria com seu pai, que era alcoólatra. A família com quatro filhos foi uma dessas milhares que se desintegraram por causa do alcoolismo. Enquanto as crianças ainda tinham a mãe, Sebastião, que era o caçula, ainda era consolado. No entanto, a esposa não suportou os maus tratos do marido e morreu. Tempos difíceis para os garotos.

Cada um dos irmãos foi para um lado. Sebastião sentiu-se privilegiado, pois foi morar com o avô. Teve carinho e pôde estudar. Fez magistério, formou-se sapateiro profissional e montou uma fábrica de calçados. Trabalhava de dia para sobreviver e à noite dava aulas de alfabetização gratuita. Um tempo depois, casou-se com uma professora e logo tiveram dois filhos.

A vida estava boa, até que um dia Sebastião "fez as pazes com a bebida". Ele havia jurado odiá-la para sempre, pois a bebida destruíra sua família. Mas aos poucos, sem que ele percebesse, começou a beber com frequência e construir um rol de amigos de bar. Quando menos percebeu, já era alcoólatra.

deu tudo que tinha: casa, carro, sapataria. Nada restou. Doente e sem condições financeiras, decidiu-se mudar para Uberlândia, cidade de seus parentes, em busca de tratamento. A esposa, abandonou o emprego em Araxá, onde moravam, e foi junto com o marido.

Chegando em Uberlândia, recebeu apoio da família. Começou trabalhando de motorista de ônibus. Era um bom empregado, a vida começava a se arranjar, até o dia em que começou a beber um pouquinho, e cada vez mais um pouco…

Assim que perceberam, seus supervisores o demitiram. Depois deste episódio, Sebastião decidiu internar-se numa clínica de recuperação, sem grande sucesso, pois nessas internações nunca recebeu informações que o alcoolismo é uma doença progressiva.

Depois de juntar-se a grupos de psicoterapia, aos poucos tomou consciência de suas limitações e percebeu que deveria aprender a viver sem bebidas alcoólicas. Sebastião percebeu que a cura do alcoolismo é um processo à longo prazo. Ele precisava de muita força de vontade, pensamento positivo, apoio dos amigos e muita fé em Deus. Depois de algum tempo, sentiu-se pronto para encarar e negar para sempre o álcool. Hoje está com vinte e três anos de abstinência. "Aprendi que não preciso de álcool para viver."

Atualmente Sebastião contribui no trabalho de recuperação de alcoólatras e dependentes químicos. "Ministro palestras e orientações. Posso dizer que sou um homem completo.