Amor pra cachorro
Casal abriga em casa dezenas de cães abandonados

Foto: Rogério Simões

Denise Stefani Max e Cassiano Siqueira acolhem cães de rua e incentivam adoção

Rogério Simões
5º período de Jornalismo

"Eles precisam de mim", declara Denise Stefani Max, sobre os cachorros abandonados, doentes e machucados que encontra na rua. Ela tem uma paixão especial por eles e tem mais de 50 cães morando em sua casa. Esta paixão não é isolada, seu marido Cassiano Siqueira também é solidário aos animais.

Denise nasceu em Uberaba e morou aqui até os 18 anos. Depois mudou-se para São Paulo. Trabalhou como corretora de imóveis. Há dois anos, retornou para sua cidade natal. Questionada sobre sua atual profissão, com ar de satisfação, ela brinca e diz: "Hoje, sou cachorreira!" (risos…)

Rex, este é o nome do seu primeiro cachorro. Ela ganhou de seu pai quando tinha 5 anos de idade. O cão era um vira-lata pequeno e amarelo. Naquela altura, nem ela mesmo imaginaria que um dia chegasse a ter cem cães de estimação. Isto mesmo, Denise chegou a ter cem cachorros, quando morava numa chacára em Maurinque, no interior paulista, localizada a 63km da capital.

Denise acolhe os cachorros que estão nas ruas, sem discriminação de raça, idade, tamanho, estética e saúde. Os felizardos que cruzam os caminhos de Denise ganham tratamento especial — aliás, tudo o que eles merecem: moradia, saúde e alimetação. Enquanto os cães não são adotados por outras pessoas, eles ficam em sua companhia.

Custear este amor não fica barato. Denise garante que gasta aproximadamente R$ 3 mil por mês, entre veterinário, medicação, alimentação, material de limpeza e uma funcionária, para cuidar de mais de 50 cachorros.

A maioria dos cães que estão com ela são vira-lata. Grande parte dos cachorros que ela acolhe das ruas estão machucados, desnutridos e maltratados. "Eles necessitam de ajuda", confessa. Na casa de Denise, os cães recebem cuidados especiais até se reabilitarem por completo. Os que não têm condição de cura são encaminhados para o Centro de Controle de Zoonoses, aonde sofrem a eutanásia, através de injeção letal. Para compensar a perda, Denise pega outro cão, seja na própria Zoonoses ou na rua. Questionada sobre a preferência das pessoas por cachorros de raça, ela diz: "Amor não tem raça, adote um vira lata".

Maus tratos

Quando os cães estão nas ruas, muitas pessoas agem de má fé: jogam água quente, chutam, maltratam. "Estas pessoas sabem que eles são seres vivos", diz Denise. Alguns colocam pimenta na carne viva, acorrentam os animais permanentemente e batem diariamente. Muitas pessoas acreditam que esse tratamento faz com que os cães tornem-se mais nervosos, mais violentos. No entanto, isto hoje é considerado um crime. Denise magoa-se em não ver atitude dos órgão competentes.

Enquanto conversávamos, o telefone de Denise tocou. Do outro lado da linha, Dona Unguesa relatava a atitude de seus filhos, Osório Antônio e Unguesa Maria, ambos adolecentes, sensibilizados com o que acontece com os "cãezinhos" abandonados nas ruas, sobretudo com o fim que a maioria dos cachorros têm quando chegam ao Centro de Controle de Zoonoses. Eles pensaram em realizar gincanas nas escolas com o objetivo de conseguir alimento para os cães. A mãe dos garotos desligou o telefone e, não demorou muito, presenciei um dos sinais do grande amor que Denise tem pela causa: seus olhos lacrimejavam. "Que meninos inteligentes", comentou emocionada.

Preocupada com o nascimento desordenado e intenso de cães, ela defende o controle de natalidade e aponta três caminhos: castração, esterelização ou injeção anteconcepcional. Esta última custa em torno de R$ 6 e tem validade de 6 meses. "Para se ter uma idéia, uma cadela tem condições de ter 6 crias ao ano", diz.

Em toda adoção, Denise faz questão de entrevistar o interessado. A razão é a posse responsável do cão. "Adotar para passar fome e ser mal tratado, não faz sentido", comenta. Deixar solto nas ruas apresenta riscos, como acidentes de trânsito e transmissão de doença.

O cão não pode ficar só amarrado. É importante que ele tenha espaço, sombra e um lugar coberto para proteger-se da chuva. Denise já chegou muitas vezes a pegar o cão de volta, por estas razões.

Tamanhos, cores, jeitos singulares, esperando para serem adotados e terem uma nova "família", aguardando uma iniciativa sua de ir buscá-los. Quem sabe o que está faltando na sua vida é uma boa companhia? Adote um cão!

Os interessados em adotar um cachorro, podem procurar a Denise Stefani Max na Rua Tristão de Castro, 874. O telefone é 8805-5414.