Para os que ficam

Na semana passada, fomos ao enterro de um colega que cursava o 1º ano de Publicidade e Propaganda. O Rafael perdeu a vida em um brutal acidente de trânsito, na madrugada de sábado. A tragédia de sua morte é inconsolável para os pais, amigos e colegas, mas esses momentos de profundo pesar inspiram duras reflexões sobre o que somos e o que andamos fazendo com a nossas breves e frágeis vidas.

Na última página desta edição, alguns amigos se reuniram para prestar as últimas manifestações de carinho ao Rafael. São inúteis, pois ele não está mais aqui entre nós, mas são demonstrações sinceras do afeto que sentíamos por ele em vida.

Mas a mágoa que fica é: por que, no dia-a-dia, nesta vida tão próxima da morte, tantas vezes deixamos de manifestar esse mesmo carinho em vida? Por que ofendemos os outros por bobagens? Por que somos intolerantes com pequenos erros? Por que guardamos mágoas, alimentamos inveja, desejamos secretamente o fracasso do outro? Quantas vezes agredimos o coração das pessoas por pura vaidade? Quantas vezes somos impacientes e desprezamos os amigos nas horas em que mais precisam de nós? Quantas vezes deixamos de oferecer um sorriso, um abraço, um olhar às pessoas que estão tão próximas, e que em um instante imprevisto podem desaparecer para sempre?

Que o Rafael seja um símbolo para todos nós. Que ele nos lembre, para o resto da vida, da urgência da generosidade, da amizade e do sentido de ser humano.