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O
nome dela
Mariana Costa 3° ano de Letras
Um homem, uma mulher.Todas as mulheres, aquela mulher. Pois ainda me lembro dela, aquela mulher que mexia... mexia com o quadril, com a cintura, com os olhos e a boca, com os cabelos e com as cabeças... as masculinas que a desejavam e as femininas que se irritavam. Se bem, não era uma mulher, era uma menina, aparência de menina, jeito de menina, olhar de menina travessa e assustada. O que mais enlouquecia era a fala, um falar descompromissado, quase desarticulado, uma coisa infantil e cheia de manias. Falava, falava e escondia algo no meio da frase, depois tampava a boca, abaixava os olhos e no segundo depois dava gargalhadas, as emoções dela estavam ali na tal flor da pele, chorava e sorria com a mesma intensidade.Parecia um animal, melhor dizendo, ela era mesmo. Não tinha um nome comum, porque não era comum, talvez se chamasse Sámaria ou uma coisa do tipo, um nome parecido com ela, forte. Me lembro que a moça era dona de um olhar dominador, olhar de leão, que te infiltra até a alma com uma imensa indiferença, ninguém dali do vilarejo sabia de onde ela vinha, bonita e dona de toda essa tal sensualidade. Tinha cachos nos cabelos longos e não sei se você sabe, mas toda mulher que tem cachos nos cabelos tem curvas no olhar. Eu particularmente apreciava os olhos da menina sem nome, um labirinto, mas só os lábios carnudos identificavam os dias férteis, dias de mulher, o andar dela é que tinha coisas; algo que pesava no quadril e não era um rebolado, os seios se impunham e o corpo dançava dentro do vestido. Vivia no constante atrito da constrangedora situação de menina-mulher. Era como o Sol, imoral, era a amante do Sol e a Lua a odiava, não pedia licença ou desculpas, tomava o que era seu, já não sei se fazia papel de vilã ou de vitima e para compreende-la tem de se apegar a teoria de que ninguém é bom ou ruim o bastante para ser tachado, só influenciável a um dos pontos e ela nem isso. Abria seus caminhos e esquentava qualquer ambiente, usava seus instintos, fazia o que sentia e sentia forte, não tinha ética, tinha agudos instintos. Enquanto eu era a outra, a do outro lado da rua, com nome e assinatura, com olhinhos azuis, cabelos lisos e que não combinava nenhum pouco com o cenário quente e avermelhado, quebrado pelo verde dessa terra. O nome dela, eu realmente não sei, mas alguém assim feito ela nem precisa mesmo ter nome. |
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