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Luta,
garra e perseverança
Sheila não desiste de seus sonhos
Karine
Rogério "Cheguei até aqui com muito esforço e persistência própria, tive que estudar, batalhar e convencer muita gente que era isso mesmo o que eu queria. Mas para estar onde estou hoje, passei por várias barreiras, doenças, cirurgias, reprovações. Mesmo depois de tantos obstáculos, estou aqui firme e forte, buscando conhecimentos novos para que eu possa ser uma boa profissional. Pretendo com o curso, poder melhorar ainda mais os meus conhecimentos, e trabalhar em prol dos que esperam algo deste curso. Gosto muito da minha transparência enquanto pessoa, e da minha persistência perante os obstáculos. Não gosto da minha baixa auto-estima e de sofrer muito com os problemas das outras pessoas. Gostaria muito de mudar isso em mim, mas acho que o sofrimento pelas pessoas será um pouco difícil": escreveu a aluna de Pedagogia Educação Especial, Sheila dos Santos Belisário, como resposta a uma atividade da aula de psicologia. Sua história poderia ser a mais comum das histórias, e ela poderia ser apenas mais uma aluna da Universidade de Uberaba buscando um futuro promissor. Porém, a verdade é que a história de Sheila está imersa em dor e sofrimentos, mas também em força, perseverança e coragem. Tudo leva a crer que a vida insiste em colocar em seu caminho obstáculos e provações para que ela desista de tudo, mas Sheila não se entrega e permanece na luta sem jogar a toalha, mesmo que isso lhe custe discriminações, rejeições, e as mais profundas cicatrizes. Transformações Sheila nasceu em São Simão, Goiás, em 11 de maio de 1979, filha de Arquidamiro Raimundo Belisário e Antônia Catarina. Aos 45 dias de vida, teve meningite, deixando-a com seqüelas graves nas vias respiratórias. "A Sheila sempre gostou de estudar. Quando pequena ela foi para a escola antes do tempo, por insistência. O gosto por estudar partiu dela", lembra seu pai que atualmente mora em Belo Horizonte. Mudou-se para Uberaba aos dez anos de idade, quando seu pai, funcionário da Cemig (Centrais Elétricas de Minas Gerais), foi transferido. "O que me marcou muito na minha infância, foi essa mudança de mudar de cidade, mudar de escola, eu tinha aquela turminha do pré-escolar, e já estava na quarta série. Tinha meus amigos, morava no acampamento, isso me marcou muito, porque eu mudei pra cá, e nunca mais vi ninguém", relembra com saudades. A lembrança dessa época, segundo ela, é triste porque foi quando aconteceu a morte de sua avó materna, chamada carinhosamente de Tuta, muito especial e querida. "Eu acredito que onde quer que ela esteja, ela está me ajudando a superar todas essas dificuldades", afirma com voz trêmula e olhos úmidos. Todas essas mudanças lhe causaram a reprovação da quarta série primária. Porém, junto com os irmãos, ela superou essa fase. "Irmãos mesmo, nós somos em dois, e dois irmãos adotivos, o mais velho e a mais nova, que hoje está com nove anos", conta Sheila. Desde então, Sheila passou a estudar na Escola Estadual Marechal Castelo Branco, onde conheceu Fabiano, seu grande amor. "Eu comecei a namorar muito nova, com 14 anos, com a pessoa que hoje é o meu esposo, e eu o namorei durante sete anos", recorda. Nessa escola, ela fez o curso de Magistério equivalente ao ensino médio, porque admirava ver seu pai lecionando. Começou aí outro caso de amor. "No meu último ano de magistério consegui uma chance pra trabalhar como professora. Eu fui trabalhar na escola Globinho, na área de educação especial, ou seja, na área em que mais tarde fui estudar. Comecei a trabalhar nessa escola, que não era especial, e que a partir de então parece que uma luz brilhou, e a escola começou a abrir as portas para todas as crianças especiais, e eu passei a amá-las muito", fala orgulhosa. A estudante se lembra emocionada de uma criança da escola Globinho, que a influenciou na decisão de sua carreira, a quem amava e que perdeu. "O que me marcou lá no Globinho, foi a perda de um aluno que eu amava muito. Foi o meu primeiro aluno, e há um ano ele morreu. Desde que o Paulo Afonso foi para a escola, eu estava ao lado dele, o conhecendo. Tinhamos muito cuidado, porque ele parecia uma casquinha de ovo, não sabia como pegá-lo, nem como alimentá-lo. Foi muito difícil no começo, mas a gente começou a aprender muito com ele, e não a ensinar ele. A gente aprendeu muita coisa, e infelizmente ele não está mais aqui", diz emocionada.
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