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" Marlene, Seus filhos foram levados pelo Conselho Tutelar" Família
pobre é acusada de maus tratos e pode perder a guarda das crianças. Felipe
Augusto
Eram aproximadamente 14h de mais uma tarde quente de segunda feira em Uberaba. Leandro da Silva, um ano de idade, Wesley da Silva, quatro anos, e Iara da Silva, seis anos, estavam em frente à Padaria Universitária, na Avenida Nenê Sabino. Como de costume eles pediam às pessoas que entravam no recinto para pagarem um lanche, ou apenas balas e doces. Sempre que tem alguma coisa sobrando na padaria, as próprias donas lhes dão por dó, ou somente por consideração à família deles. Todos os dias em que a padaria está aberta, eles ficam pedindo o que comer. Wesley e Iara são filhos de Marlene da Silva, irmã de Andreza, que é mãe de Leandro. Elas moram junto com as crianças em uma casa humilde, e vivem sob a renda do pai José da Silva. Seu José trabalha em uma chácara como agricultor. A renda média por mês é de R$ 200,00, que sustenta 12 pessoas. A família recebe ainda ajuda de cestas básicas da igreja da Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Os meninos
estavam mal cuidados. Leandro estava apenas de camisa e muito sujo.
Tudo ocorria rotineiramente, os clientes chegavam na padaria e as crianças
iam correndo atrás pedindo lanches e doces, que às vezes
eram negados. Depois
de alguns minutos um carro do Conselho Tutelar pára em frente
à padaria. Descem dois senhores que vão em direção
à mulher e às crianças. Um deles, com identificação
de diretor, conversa com a mulher que paga o lanches dos três,
e encaminham as crianças até o carro. A dona da padaria,
que conhece bem a família das crianças, vai até
eles para saber o que estava acontecendo. O diretor se apresenta e fala
que ela não precisava se preocupar, estavam encaminhando-as para
um lugar seguro. Uma senhora que estava presente disse que seria melhor para eles, que pelo menos lá seriam bem tratadas. Após este comentário, a vizinhança concordou que as crianças não eram bem tratadas e viviam jogadas pela rua sem nenhum cuidado. Muitas vezes a dona da padaria às levava para casa, já tarde da noite, porque os pais não as procuravam.
Mãe x Justiça Já
passava de quatro horas da tarde quando Marlene se preocupou com as
crianças, que deveriam ter voltado da rua. O primeiro lugar que
pensou em procurá-los foi na Padaria Universitária, por
saber que elas sempre ficavam lá. Seus filhos foram levados pelo Conselho Tutelar. Marlene
e Andreza se desesperaram. Foram imediatamente à sede do conselho
para saber notícias das crianças. Chegando lá,
elas procuraram saber dos filhos, mas não tiveram notícias.
Um funcionário pegou o endereço delas e mandou-as para
casa, afirmando que no dia seguinte as assistentes sociais visitariam
a residência onde viviam. Marlene
afirma ter voltado ao conselho tutelar que a encaminhou ao juizado de
menores. Até segunda-feira, dia oito de dezembro, apenas o processo
de Leandro tinha chegado ao juizado de menores. Na sexta-feira dia doze,
a promotoria da Vara da Infância e do Adolescente confirmou que
os processos tinham sido encaminhados. Afonso
confirma todas as informações coletadas na padaria. "As
crianças estavam muito sujas e em condições de
maus tratos, sem condições mínimas de higiene",
finaliza. Estatuto De acordo com Estatuto da Criança e do Adolescente de 1990, capítulo um do Direito à vida, casos em que a criança ou adolescente estiverem em situação de maus tratos devem ser obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar, que tomará as devidas providências. "Estava visível a situação" afirma Afonso reforçando que eles estavam todos sujos com cabelos despenteados e com piolho. Segundo Afonso, Marlene e Andreza foram até à sede do Conselho Tutelar alegando que as crianças "escapuliram" enquanto elas estavam arrumando casa. Elas afirmaram ainda que os filhos não ficam sempre na rua, que essa tinha sido a única vez. "Foi visto que não era verdade, o estado em que as crianças se encontravam mostrava total omissão das mães", afirma o conselheiro. Foi detectado em Leandro, assim que chegou no abrigo, problemas de saúde. Ele foi encaminhado ao hospital, e depois de examinado, conclui-se que o garoto estava com princípio de pneumonia e suspeita de tuberculose, ficando internado durante 15 dias. Andreza
e Marlene foram orientadas sobre como seria o procedimento, que todas
as informações seriam encaminhadas ao juiz e ao promotor
da Vara da Criança e do Adolescente. As mães serão
ouvidas e a partir dos dados recolhidos, eles vão tomar a decisão
se as crianças voltarão para casa ou não. Anderson,
pai de Leandro, procurou o Conselho Tutelar afirmando que sua mãe
tem condições de criar o garoto. Os membros do Conselho
Tutelar fizeram um relatório com o endereço da avó
de Leandro. O juiz também ouvirá Anderson e as Assistentes
Sociais irão visitar o endereço para uma avaliação
que será entregue ao juiz. Alguns
vizinhos afirmaram que Anderson foi até o abrigo em que as crianças
estão instaladas. Os vizinhos, que pediram para não ser
identificados, disseram que viram Anderson com alguns suprimentos para
levar. "Não temos informação sobre essa visita"
afirma Afonso. "Se ele foi lá, não foi com nossa
autorização" reforça.
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